Foragido desde julho, o terceiro suspeito de envolvimento no assassinato a tiros do peão de boiadeiro Matheus Expedito de Campos, de Lagoinha, se entregou à polícia na quarta-feira (10).
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O homem foi identificado como Jorge Márcio Marcondes, 48 anos. Acompanhado de um advogado, ele se apresentou à Delegacia Seccional de Taubaté.
Jorge é irmão do vereador Fábio Pereira Marcondes, conhecido como Sueco (PSDB), presidente da Câmara de Lagoinha.
Sueco também é réu no processo, acusado por homicídio mediante paga. Mas não há mandado de prisão contra ele. Os irmãos negam envolvimento no assassinato do peão.
Os outros dois homens presos por envolvimento na morte do peão são Rodrigo Joaquim Martins Barbosa e Gabriel Querino Siqueira.
Matheus era peão e foi executado com tiros à queima-roupa na manhã de 30 de abril, no centro de Lagoinha, após sair de uma pastelaria. A Polícia Civil apura se o crime tem relação com ameaças anteriores atribuídas a um desafeto da vítima.
Denúncia.
O Ministério Público denunciou que o assassinato de Matheus foi motivado por vingança, após uma briga entre Jorge e o peão. Jorge teria contratado dois executores para o crime, Rodrigo e Gabriel, mediante pagamento de R$ 1 mil.
Ainda segundo a denúncia do MP, Jorge pediu que seu irmão, o vereador Sueco, fizesse a transferência bancária a um dos executores, o que foi atestado na investigação da Polícia Civil.
Os advogados André Luiz dos Santos e Diego Antônio de Melo, que fazem a defesa de Jorge e Sueco, informaram que têm "firme e inabalável convicção na inocência" dos clientes, "diante das acusações que lhes são imputadas".
"Cientes da imperativa importância da colaboração com as autoridades e do pleno esclarecimento dos fatos para a busca da verdade processual, orientamos o corréu Jorge Márcio Marcondes a se apresentar espontaneamente às autoridades competentes. Esta iniciativa, pautada na boa-fé e na confiança na correta aplicação da justiça, visa não apenas colocá-lo à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, mas também a demonstrar o compromisso inabalável de nossos clientes com a transparência e a célere elucidação da verdade real, afastando qualquer ilação indevida ou especulação", disse a defesa em trecho da nota enviada ao G1.
O crime.
De acordo com o boletim de ocorrência, registrado na Delegacia de Polícia de Lagoinha, o crime aconteceu às 9h58 de 30 de abril deste ano.
Uma testemunha que estava com Matheus momentos antes do assassinato contou que os dois tinham acabado de tomar café em uma pastelaria e seguiam para uma borracharia onde a vítima trabalhava.
Quando se despediam, uma motocicleta Honda CG 125 verde, sem placa, se aproximou. Dois indivíduos estavam no veículo: o condutor era mais velho e forte. O garupa era mais jovem, com cerca de 23 a 24 anos. Este desceu, perguntou se o nome da vítima era Matheus, e, antes mesmo de obter resposta, sacou um revólver calibre .38 e efetuou os disparos.
A vítima ainda tentou correr para dentro de uma loja vizinha, mas foi atingida e caiu. Um amigo socorreu Matheus, levando-o até uma unidade de atendimento em um carro emprestado, mas ele não resistiu.
O pai da vítima relatou à polícia que Matheus teria desferido uma facada em um homem, figura com extensa ficha criminal. Após o episódio, ameaças de morte contra Matheus teriam se espalhado pela cidade. No dia do crime, segundo informações colhidas, o desafeto estaria circulando por Lagoinha.