Até o fim de outubro, artistas de todo o mundo terão acesso a um software gratuito e de código aberto de vídeo mapping, para interações em teatro, dança, eventos e mais, algo inovador no segmento.
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Criado pelo engenheiro de São José dos Campos, formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Daniel Corbani, o Luna Video Mapping (acesse aqui) teve sua primeira versão entregue em abril deste ano, com apoio de leis de incentivo nacionais.
Agora, recebeu o reconhecimento da renomada instituição internacional Processing Foundation, permitindo entregar uma versão com linguagem ainda mais amigável e função exclusiva de projeção mapeada criada pelo joseense.
Vídeo mapping, ou projeção mapeada, é uma técnica que projeta vídeos e imagens em superfícies irregulares ou não convencionais, como edifícios, objetos ou até pessoas, transformando-as em displays dinâmicos e imersivos.
Desde que redirecionou suas habilidades técnicas e ingressou na carreira artística, há pouco mais de sete anos, dedicando sua pesquisa à fusão entre arte e tecnologia, Corbani tem feito dezenas de entregas promovidas por meio de leis de incentivo nacionais em parceria com outros artistas, como um cinema itinerante a mais de 2.000 alunos da rede pública periférica e espetáculos de teatro e dança.
“A visão sob a perspectiva de artista somada ao conhecimento técnico, me coloca como uma espécie de programador criativo, com foco em sistemas interativos em tempo real para performance ao vivo”, disse o criador.
“Meu trabalho combina uma visão computacional e o mapeamento de projeção e visuais generativos para criar experiências imersivas, em que dançarinos e atores manipulam elementos digitais organicamente. Isso adiciona uma camada a mais de informação, sensibilidade à obra e não estamos falando, necessariamente, de muitas luzes e cores projetadas”, completou.

Inovação e sustentabilidade.
Com o crescente interesse em vídeo mapping, o Luna está alinhado a um objetivo de Sustentabilidade ao promover um software que não depende de licenças pagas, com foco na criatividade e na colaboração, em vez do lucro, preenchendo uma lacuna no ramo.
“A gratuidade era um objetivo central do projeto. O Luna vem figurando como uma porta de entrada àqueles que não possuem formação técnica básica ou hoje dispõe de opções limitadas de softwares na área, pelo expressivo investimento financeiro. Esta etapa entrega uma navegação mais amigável e uma função exclusiva, a ideia é prosseguir adaptando seus recursos junto à comunidade”, explicou Corbani.
Outro ponto a ser destacado é a criação em código aberto, permitindo que usuários possam modificar e personalizar o software para atender às suas necessidades específicas.
“Isso cria uma comunidade colaborativa, incentiva a contribuição de desenvolvedores profissionais e artistas, promovendo um ambiente de aprendizado e inovação, por meio da personalização às necessidades específicas”, afirmou o pesquisador e artista.
Além do setor artístico e de eventos, é possível vislumbrar o uso do recurso na educação e aprendizado, por exemplo. “O software pode ser uma ferramenta valiosa para instituições educacionais, permitindo que estudantes sejam beneficiados pelos recursos ou aprendam sobre vídeo mapping e programação de forma prática e envolvente”.
Oficinas.
Neste sentido, o autor ofertou, ao longo do ano, oficinas gratuitas na rede pública e junto à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), no campus de São José dos Campos, incluindo a comunidade com perda total de audição.
Foram contempladas mais de 300 pessoas e, em 2025, ele vem promovendo oficinas pelo Brasil pela CultSP Pro, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo que oferece cursos gratuitos de qualificação profissional para nas áreas de cultura, economia e indústria criativa.
“É fundamental perpetuar a conexão com estudantes e profissionais para sustentabilidade do projeto e para que seja uma contribuição ainda mais efetiva à comunidade, já que também representa uma possibilidade de ofício, de carreira alinhada ao mercado do futuro”, reforçou Corbani.
Natan Santos, designer de produtos que fez aulas sobe o Luna, revela sua percepção acerca das três horas de imersão: “Altíssimo nível de aula de programação e aula expositiva do vídeo mapping. Desde o primário eu desejava entender a linguagem e a maneira com que ele abordou e expôs o assunto gerou o nexo que faltava para fazer sentido a linguagem de máquina. O que eu testemunhei foi a diferença que faz quando um assunto é exposto por uma pessoa genial, com profundo conhecimento multidisciplinar e atuante na prática. Fez todas as peças da base da computação se encaixarem”, disse.
Engenheiro joseense formado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Corbani fez uma transição de carreira na indústria há pouco mais de sete anos e vem se dedicando a uma pesquisa contínua, focada na relação entre arte e tecnologia, especialmente na área de sistemas de realidade aumentada para performances artísticas, linguagem e formas de comunicação cênica.
Pós-Graduado em Inteligência Artificial, no último ano, o profissional recebeu incentivos a projetos relacionados, como um cinema itinerante em escolas públicas, dança vertical e outros em parceria com profissionais da arte. Em 2025, tornou-se fellow na Processing Foundation e agora sua criação ganha alcance mundial.
