DOCUMENTO OVALE CAST

Banido do futebol, Edílson diz que ‘sonha todo dia’ em apitar

Por Guilhermo Codazzi e Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min

Banido do futebol após o escândalo que ficou conhecido como ‘Máfia do Apito’, o ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, 63 anos, disse que sonha com frequência que está apitando jogos de futebol.

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Após envolver-se no esquema de manipulação de resultados de partidas de futebol, o que levou ao cancelamento de 11 partidas apitadas por ele no Campeonato Brasileiro de 2005, Edilson nunca mais voltou a apitar.

“Essa questão da atmosfera que envolvia [os jogos] fica na gente. Sonho todo dia. Está comigo”, disse Edílson em entrevista ao Documento OVALE Cast, podcast especial de OVALE.

O Documento OVALE Cast, podcast que investiga e aprofunda temas de grande relevância, conta com a participação do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, e do repórter especial Xandu Alves.

Confira o trecho da entrevista com o ex-árbitro.

Edilson, você chegou à FIFA e foi um dos árbitros mais renomados do país. Era conhecido até por ser enérgico dentro de campo. Você apitou jogos importantes, com o Maracanã lotado, Morumbi lotado. Você sente falta daquela atmosfera que envolvia o jogo?

Eu apitei na América do Sul, em três países, a final. Apitei no Brasil inteiro todas as finais que tiveram, menos no Rio de Janeiro, que não deixavam árbitro de fora apitar. Cada um tem a sua competência na arbitragem. Esse prazer está dentro da pessoa, do seu trabalho e quanto mais difícil é, mais você se emociona. Comecei na base, eu não tinha roupa, não tinha apito, não tinha nada, e assim foi crescendo e chegou até lá.

Não desmerecendo, apitei até em presídio. Tudo serve de lição. Presídio tem os seus campeonatos. Então tudo serve de lição. Tem o seu futebol lá. Então, eu cheguei a apitar em duas vezes em São Paulo. Essa questão da atmosfera que envolvia fica na gente. O sonho todo dia está comigo. Deus dá o dom para cada ser humano, seja lá o que for. Deus me deu esse dom de ser árbitro. Eu por mais que eu não queria, os caminhos foram se fechando e eu fui. Larguei até o meu emprego.

É uma coisa maravilhosa. Você acha que é muito diferente de ser árbitro de futebol do que qualquer outra profissão, que você mexe com a cultura do Brasil, mexe com o povo, mexe com o ser humano, mexe com o homem, o torcedor que a emoção fala muito, que vende uma casa, que faz qualquer coisa para assistir ao time dele, para viajar, para acompanhar, faz besteira. A gente vê isso na televisão.

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