O ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, 63 anos, disse que sofre até hoje com o escândalo no futebol brasileiro conhecido como ‘Máfia do Apito’, que aconteceu há 20 anos. Ele foi banido do futebol por envolvimento no esquema de manipulação de resultados.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
“Não tem o que falar o que eu chorei, o que eu sofri, tudo exclusivamente por minha culpa”, disse Edílson em entrevista ao Documento OVALE Cast, podcast especial de OVALE. “Acabou comigo, acabei com a minha vida”.
O Documento OVALE Cast, podcast que investiga e aprofunda temas de grande relevância, conta com a participação do editor-chefe de OVALE, Guilhermo Codazzi, e do repórter especial Xandu Alves.
Confira o trecho da entrevista com o ex-árbitro.
O senhor ainda sofre hoje com o que aconteceu na época da Máfia do Apito?
Sim, evidente, não tem como. Sofri muito mais em 2006, não vou falar nem em 2005, que foi em setembro, então outubro, novembro, dezembro já estava a final de campeonato. Mas principalmente no começo. E até hoje. Não tanto quanto naqueles anos. Eu só trabalhava como árbitro. Em primeiro lugar que acabou a arbitragem para mim, fui banido do futebol, tinha que procurar emprego, tinha uma família. Não era fácil arranjar emprego devido ao que eu aprontei de errado na minha vida, de errado com o futebol.
Não tem o que falar o que eu chorei, o que eu sofri, tudo exclusivamente por minha culpa. Mas o tempo passou, o tempo passa, graças a Deus. E hoje eu sofro comigo. Aliás, nessa madrugada mesmo sonhei. Geralmente de sete dias por semana, em quatro eu sonho com futebol. Estando arbitrando. Eu sonho, é ridículo. Mas eu sofro comigo psicologicamente todo santo dia. Antes eu chorava muito por nada, agora eu acho que tem que tocar um pouco para chorar. Porque está no fundo, está comigo, e o futebol está com todos todo dia, o brasileiro é isso, a cultura acima de tudo, acima da esposa, do filho até. A gente vê isso.