Por meio da Operação Caffeine Break, deflagrada na manhã desta terça-feira (12), a PF (Polícia Federal) desarticulou uma organização criminosa responsável pelo desvio de toneladas de cafeína do mercado legal para abastecer o tráfico de drogas.
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A investigação começou a partir de São José dos Campos, onde está sediada a empresa que deu origem ao inquérito, e se estendeu a outras cidades paulistas e do Rio de Janeiro.
Segundo a PF, o ponto de partida da investigação foi a análise de movimentações atípicas de uma empresa local, voltada à produção e comércio de suplementos alimentícios e energéticos à base de cafeína.
Essa empresa, sediada em São José dos Campos, registrou compras irregulares de grandes quantidades de produto controlado, sem justificativa econômica ou logística.
Durante a investigação, três empresas — a primeira localizada em São José dos Campos e outras duas no estado — adquiriram juntas mais de 550 toneladas de cafeína, mascarando as transações com notas fiscais falsas e sem lastro comercial.
O grupo envolvia químicos, farmacêuticos, despachantes aduaneiros, advogados e outros profissionais especializados para viabilizar o esquema.
O sócio da empresa de São José dos Campos já havia sido preso em 2010 pela Operação Opus Magna (Santos/SP) por um crime semelhante, mas retornou à atividade ilegal com métodos mais sofisticados, segundo a PF.
Região.
No Vale do Paraíba e no Litoral Norte, nesta terça-feira (12), foram cumpridos ao menos 11 mandados de prisão e de busca e apreensão.
No geral, mais de 200 policiais federais deram cumprimento a 20 mandados de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do estado de São Paulo e na capital do Rio de Janeiro, os quais foram expedidos pela 3ª Vara Federal de São José dos Campos.
Além dos mandados judiciais, foram determinados 59 bloqueios de contas bancárias e 83 sequestros e bloqueios de bens móveis e imóveis dos investigados, no valor de até R$ 72 milhões.
Além de São José dos Campos e Caraguatatuba, houve diligências em São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Tietê, Cerquilho, Diadema, São Caetano do Sul e Santos, além da capital fluminense.
Os investigados responderão, conforme suas condutas, por desvio de produtos químicos controlados para fabricação de drogas e integração de organização criminosa. As penas somadas podem ultrapassar 25 anos de prisão.
A PF escolheu “Caffeine Break” como trocadilho com a expressão inglesa coffee break (pausa para o café), aludindo diretamente ao produto químico desviado.