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Saúde: ‘Temos 1,08 milhão de cartões CRA ativos’, afirma prefeito

Por Guilhermo Codazzi e Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 10 min
Reprodução
Anderson Farias participa de OVALE Cast, o podcast de OVALE
Anderson Farias participa de OVALE Cast, o podcast de OVALE

O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), disse que o município arca com praticamente “outra São José” no atendimento à saúde, com serviços feitos na rede da cidade para milhares de moradores de outros municípios.

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Anderson cobra uma repactuação das relações da tripartite da saúde, com relação à Federação, ao Estado e aos municípios. O objetivo é equilibrar essa conta.

“A gente tem mais de 1 milhão e 80 mil cartões do CRA (Cadastro de Regulação Ambulatorial) ativos, com pelo menos dois atendimentos por ano. Ou seja, temos uma outra São José dos Campos com o endereço declarado em São José. Hoje a gente tem todos esses dados diariamente”, afirmou Anderson em entrevista a OVALE Cast, o podcast de OVALE.

Confira o trecho da entrevista no qual o prefeito de São José fala sobre a saúde.

OVALE realizou, dentro do projeto Vox Populi, uma pesquisa de avaliação do início desse novo mandato do senhor. A saúde aparece como a principal área de preocupação dos joseenses, com 25,9%. Na saúde, que teve grande destaque no plano de governo, qual é o diagnóstico, quais os principais gargalos e o remédio?

O remédio é realmente rever toda a questão das relações da tripartite da saúde, com relação à Federação, ao Estado e aos municípios. Hoje, em São José dos Campos, a gente tem mais de 1 milhão e 80 mil de cartões do CRA (Cadastro de Regulação Ambulatorial) ativos, com pelo menos dois atendimentos por ano, ou seja, temos uma outra São José dos Campos com o endereço declarado em São José. Hoje a gente tem todos esses dados diariamente.

Hoje a UPA de Eugênio de Melo atende 28% dos seus pacientes de Caçapava, que entram com endereço declarado de Caçapava na porta de emergência e urgência da UPA. No Hospital da Vila, a gente chega ali, às vezes, em torno de quase 40% dos nossos leitos ocupados por pacientes de outras cidades, que deveriam estar no Hospital Regional. A gente atende Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião, que o Hospital Regional lá no Litoral [Norte] deveria absorver. Tem todo esse rearranjo que tem que ser feito.

Como fazer?

O governador [de São Paulo] Tarcísio [de Freitas] começou, o seu governo já está mexendo nessa questão estrutural das suas diretorias regionais de saúde para que realmente faça outro trabalho. A gente vem fazendo esse processo junto com o governo do estado, por exemplo, o AME. Nós adquirimos o prédio do AME, aqui um prédio novo para o AME, que deve começar a funcionar a partir de janeiro do ano que vem. Exatamente para a gente começar a mudar um pouco desse modelo.

Hoje o AME de Taubaté, por exemplo, faz cirurgias, que o AME de São José dos Campos não faz. E aí essas cirurgias que não são feitas pelo AME, que é de responsabilidade do Estado, estão dentro do Hospital da Vila. Então nós temos toda essa situação para nos realinharmos com relação aos atendimentos. Não tem problema nenhum atendermos as pessoas que não são de São José dos Campos, mas a gente tem que receber esses valores. O Ministério da Saúde tem que repassar esses valores.

O Hospital da Vila é uma referência em trauma. Todos os acidentes que acontecem na nossa cidade, na nossa região, temos rodovias como a SP-50, a rodovia Presidente Dutra, Tamoios, vem tudo para o Hospital da Vila. A gente não recebe. No ano passado, para ter uma ideia, nós recebemos 2,67% dos valores de convênio que são devidos para o município. Então, a gente precisa fazer muitas correções com relação aos recursos.

Qual é o investimento de São José hoje na saúde?

O município hoje investe 30% do orçamento na saúde pública. Estamos falando de mais de 1 bilhão de reais. A gente investe na saúde. A gente precisa rever toda essa divisão, que é que o SUS faz com relação a essa ser uma tripartite entre as esferas. A gente vê até pela judicialização dos processos. Até o STF agora teve um julgamento recentemente, tirando disso dos municípios que estavam pesando. São José dos Campos, em média, são R$ 20 milhões por ano que a gente investe para comprar medicamento de responsabilidade do Governo Federal que a justiça condena o município a fornecer.

Quer dizer, isso não tem lógica, tirar R$ 20 milhões do orçamento da cidade, não previsto, sem planejamento, e ter que tirar esses valores. Isso daí tem que ser revisto, eu venho revendo toda essa situação. Mas vamos continuar fazendo os investimentos, até porque saúde, a gente tem o compromisso na parte oncológica, por exemplo, a gente está hoje num prazo de no máximo 45 dias, assim que a pessoa é diagnosticada, ela já está em tratamento. O próprio Ministério da Saúde preconiza entre 70 e 65 dias, então nós estamos com o número bem baixo.

A parte cardíaca também nas parcerias que nós temos com o Pio 12, juntamente com o Hospital da Vila, fizemos o maior concurso da história da saúde com novos profissionais. E é um grande desafio contratar profissionais da área da saúde. Tivemos, por exemplo, especialidades que não veio ninguém participar, e não pode-se falar que é por salário, não pode falar que é o plano de carreira que é ruim, aí é o mercado. Fonoaudiólogo não tem no mercado. Neuro não existe, a gente fez o concurso e ninguém participou.

A gente vai achando outras soluções com parcerias, seja com as organizações sociais ou também com as clínicas privadas. Acabamos de fazer agora uma parceria com a Clínica dos Olhos, aqui em São José dos Campos. Então a gente vai fazendo um rearranjo na nossa rede com parcerias e a rede pública.

Como está o processo da instalação da maternidade?

Ontem abriu a licitação da maternidade, é uma nova maternidade. No ano passado, foram mais de 7.000 partos realizados no Hospital da Vila. Nós também, em média, nos últimos 4 anos, o Hospital da Vila passou a ser o único hospital SUS que faz parto. Antigamente era o Antônio da Rocha Marmo e o Hospital da Vila. Hoje é só o Hospital da Vila.

Nós estamos com pouco mais de 2.000 m² lá de maternidade, uma nova maternidade agora, a licitação abriu dia 15. Já faz parte do Hospital da Mulher. Essa maternidade já é uma fase do próprio Hospital da Mulher. Mas temos esse grande número de partos que são realizados aqui dentro do nosso Hospital da Vila. Então, o Hospital da Vila é um hospital que a gente concentra. É o maior hospital da região, é o quinto maior hospital do estado de São Paulo, de porte 5. Todas as especialidades que nós temos lá, trauma, emergência, urgência e de especialidades. Então, a gente tem esse hospital municipal que pesa do ponto de vista financeiro.

E aí a saúde fica uma discussão. Às vezes, eu tenho gente de Caçapava elogiando a saúde de São José e o joseense, às vezes, com problema. É isso que a gente precisa, não posso deixar que isso continue acontecendo, mas isso é uma relação minha com o governo federal, com o governo do Estado que a gente precisa rever. E os investimentos vão continuar sendo feitos.

Quais os destaques desses investimentos, prefeito?

Desde o Hospital Novo na região Sul, que é uma parceria com o Santa Casa. O Clínica Sul a gente iniciou uma obra agora de ampliação de novos 82 leitos e salas de cirurgia. O Clínica Sul não faz cirurgias. Então a gente vai passar a fazer cirurgias no Hospital Clínica Sul. Isso vai aliviar o próprio Hospital da Vila. Uma nova UPA Norte também num outro prédio, um prédio novo.

Hoje a UPA Norte do ponto de vista de prédio, da sua condição física, é muito ruim, um prédio muito antigo, então nós vamos ter uma nova UPA. Estamos construindo uma nova UBS lá na região do Cajuru, já está em obra, uma nova UBS na Vila Industrial. Vou licitar já esse ano uma nova UBS lá no Pinheirinho dos Palmares. Vamos transformar três ESF em UBS, Majestic, Santa Hermínia e o Cajuru. Então, assim, a gente tem esses investimentos na saúde pra gente melhorar a nossa rede.

E quanto o papel da tecnologia?

O que a gente vem trabalhando muito hoje na saúde é gestão. É para levar tecnologia pra gestão da saúde. O que é isso? A gente está mudando vários fluxos. Antigamente, um paciente que passou pela UBS e foi encaminhado para o especialista, o especialista pediu exames, certo? E aí, por alguma razão, essa pessoa atrasou 5 minutos, ela perde a sua consulta e volta lá na UBS. Hoje não mais. Medicamento hoje está transparente, todas as informações no site da prefeitura. As pessoas vão ver se está faltando medicamento. Hoje a gente tem gestão dos medicamentos. Qualquer cidadão pode entrar no site e ver qual é o estoque de medicamento na UBS de referência dele. De qualquer UBS, ele vai consultar lá. A gente tem outra dinâmica do medicamento.

Às vezes eu posso ter falta de medicamento numa unidade, mas não falta de medicamento na rede. Então a gente faz uma transferência. Pede para o paciente, às vezes, ele pode retirar na outra UBS. Nas consultas a gente começa também a fazer essa mudança. Às vezes, eu tenho vaga de consulta de ginecologista na UBS X e na UBS Y eu estou para 90 a 120 dias. Então, se eu tenho vaga aqui, nós vamos propor para o paciente para que ele possa ser atendido na UBS.

A gente vem fazendo essas mudanças com tecnologia, sistema, com inteligência artificial, fazendo todos esses relatórios, todas essas conexões de informações. Hoje a gente tem uma perda de 28% de exames que são realizados e as pessoas não vão à consulta. Estamos em média com 12% de consultas que as pessoas faltam, mas tem UBS que chega a 30%. Então, a gente vem trabalhando unidade por unidade. Hoje a gente está dando informação através do WhatsApp. Marcou a consulta, 72 horas antes a pessoa recebe a informação: ‘Olha, sexta-feira sua consulta às 10 horas da manhã. Quer cancelar? Aperte 1’. Se ela apertar 1, ela cancela. A gente já consegue chamar outro paciente. Então, a gente está trabalhando muito mais com tecnologia.

Preparos de exame, por exemplo, a gente tinha uma perda de preparo de exame de quase 30%. A pessoa chegava para fazer o exame, bebeu água, bebi, não era para beber, entendeu? Então, hoje ela recebe no WhatsApp o preparo dela, algumas horas antes. Olha, você precisa estar de jejum, precisa fazer isso. Essas ações que estamos fazendo vêm melhorando muito a eficiência.

Nós fazemos hoje 80 mil ligações por mês na saúde. A gente tinha uma perda de 20 mil a 25 mil ligações. Hoje a gente não perde mais do que 200 ligações, não mais do que 200. É outro parâmetro com relação a isso. Então a gente tem uma eficiência usando tecnologia.

A gente fala da tecnologia na saúde, é inteligência artificial, cruzar informações, dados, cuidar dessa questão dos exames. Tem pessoa, às vezes, que precisa fazer 10 exames. Quando ela vai fazer o último exame, o primeiro que ela fez venceu. Então tem que ter um cronograma. Isso tem um problema, porque eu tenho 10 exames às vezes que a pessoa precisa fazer e dos 10 exames nós estamos falando às vezes de cinco clínicas. São serviços diferentes.

Hoje tem todo um sistema de inteligência que faz com que as marcações dos exames sejam feitas de acordo para que a gente não tenha nenhuma perda de prazo da validade dos exames, e já ter marcado a consulta também. Isso está fazendo uma grande diferença. Tem uma equipe específica que trabalha lá no Parque Tecnológico, no PIT, ao lado do 156, lá onde tem a Urbam. É um ambiente só de desenvolvimento de tecnologia da prefeitura e hoje a saúde é a nossa prioridade que a gente vem trabalhando.

*Errata: Inicialmente, o título informava que o município tinha 1,8 milhão de cartões CRA ativos; o número correto é 1,08 milhão. A informação foi atualizada.

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