OPERAÇÃO ULTRAVALE

Grupo investigado em SJC usava refugiados sírios como 'laranjas'

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Polícia Civil
Viaturas empenhadas na 'Operação Ultravale’, da Polícia Civil de São José dos Campos
Viaturas empenhadas na 'Operação Ultravale’, da Polícia Civil de São José dos Campos

Alvo da ‘Operação Ultravale’, da Polícia Civil de São José dos Campos, uma organização criminosa da região é suspeita de envolvimento em esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro, com uso de empresas de fachada, cooptação de refugiados sírios como laranjas e articulações com atores nacionais e estrangeiros.

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Durante a operação, deflagrada nesta quinta-feira (27), foram cumpridas medidas cautelares por meio de oito mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais vinculados aos investigados. Também houve bloqueio judicial de contas bancárias, aplicações financeiras e sequestro de bens móveis, com valor estimado em R$ 45 milhões.

Em um dos endereços, um investigado foi preso em flagrante delito pela posse irregular de arma de fogo e munições. Em um segundo local, os policiais apreenderam um veículo de luxo avaliado em aproximadamente R$ 600 mil, a quantia de R$ 60 mil em espécie e 20 mil em dólares americanos.

Dentre os itens apreendidos, também constam diversos documentos e cartões bancários emitidos em nomes de pessoas de origem árabe, cujas relações com os investigados passarão a ser objeto de apuração específica no âmbito da investigação patrimonial e financeira.

Além disso, foram recolhidos telefones celulares, tablets e computadores, que passarão por análise técnico-investigativa, com vistas à extração de dados, identificação de fluxos financeiros e aprofundamento do quadro de provas contra a organização criminosa.

A investigação aponta que a organização criminosa usa empresas de fachada e coopta refugiados sírios como laranjas. Além disso, é suspeita de manter transações bancárias com pessoas jurídicas vinculadas ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e movimentações com indivíduos listados pelo OFAC (Office of Foreign Assets Control), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, como integrantes de células terroristas associadas ao Hezbollah – organização política e paramilitar fundamentalista islâmica.

Ações.

A operação foi desencadeada pela 1ª DIG (Delegacia de Investigações Gerais) da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de São José dos Campos. Uma pessoa foi presa e bens de luxo foram confiscados.

De acordo com as investigações, o grupo criminoso utilizava terceiros (“laranjas”) para figurarem como sócios e administradores de empresas constituídas formalmente. Tais pessoas, em sua maioria, eram refugiados sírios, cooptados para os negócios ilícitos.

Em troca, segundo a polícia, eles recebiam valores mensais, assumindo titularidade das pessoas jurídicas enquanto eram mantidos afastados da gestão real dos negócios. O objetivo era ocultar a identidade dos verdadeiros operadores e simular legalidade na circulação de recursos de origem criminosa.

Abastecidas com movimentações bancárias vultosas de origem ilícita, ainda segundo a investigação, tais empresas passavam a exibir aparente solidez financeira. Com base nesse falso lastro patrimonial, os investigados contraiam empréstimos bancários e obtinham crédito no mercado financeiro, utilizando-se de dados artificiais. Após a liberação dos recursos, as empresas eram intencionalmente encerradas, deixando de cumprir as obrigações pactuadas e gerando prejuízos significativos às instituições financeiras.

“A lavagem de dinheiro era operacionalizada por meio da criação sucessiva de pessoas jurídicas, movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos e contratos simulados, compondo um ciclo articulado de ocultação, dissimulação e reintegração dos valores ilícitos ao sistema formal”, informou a Polícia Civil.

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