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Efeti: não concessão de reajuste travou obra no Bosque dos Ipês

Por Julio Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Google Street View
Obra deveria ter ficado pronta no ano passado
Obra deveria ter ficado pronta no ano passado

O impasse que levou à paralisação da obra da nova Efeti (Escola de Formação em Tempo Integral) do bairro Bosque dos Ipês, em São José dos Campos, ocorreu após a Prefeitura rejeitar dois pedidos da empresa responsável para que fossem aplicados reajustes anuais para reposição da inflação, que são previstos no contrato.

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Há quase um ano, a JB Construções, que tem sede em São Paulo, levou o caso à Justiça. Em primeira instância, a 1ª Vara da Fazenda Pública de São José entendeu que a não concessão dos reajustes foi irregular, e condenou a Prefeitura a pagar R$ 486 mil à empresa. O município recorreu.

Enquanto a batalha jurídica continua, a obra segue abandonada. Os serviços deixaram de ser executados em janeiro de 2024 e, no fim do ano passado, o contrato foi encerrado.

Obra.

Ao custo de R$ 18,6 milhões, a obra começou em junho de 2022 e deveria ter ficado pronta em junho de 2024. No fim de 2023, o contrato chegou a ser prorrogado por cinco meses, com o prazo passando para novembro de 2024.

Entre 2022 e janeiro de 2025, segundo dados do Portal da Transparência, a Prefeitura repassou à empresa R$ 7,7 milhões.

Não há dados públicos sobre o percentual de execução da obra, mas comparando o valor total com o montante recebida pela empresa calcula-se que o serviço tenha atingido 41,3% antes de ser abandonado.

Processo.

A ação contra a Prefeitura foi ajuizada pela empresa em abril de 2024. No processo, a JB narra que os reajustes previstos em contrato foram requisitados em dezembro de 2022 (para ser aplicado em janeiro de 2023) e em dezembro de 2023 (para ser aplicado em janeiro de 2024).

O primeiro pedido, segundo a empresa, não foi respondido pela Prefeitura. E o segundo "foi indeferido ao argumento de que não seria conveniente e oportuno". Segundo a JB, a não concessão dos reajustes "resultou em desequilíbrio econômico-financeiro reconhecido e severo".

Na ação, a empresa afirmou que, dessa forma, passou a servir "ilegalmente como verdadeira financiadora da obra pública, sem nenhuma perspectiva de recebimento da contraprestação pecuniária pactuada conforme a lei e o direito no contrato".

À Justiça, a Prefeitura alegou que os pedidos de reajuste foram feitos pela empresa logo após serem assinados aditivos no contrato, sem que a JB "tivesse promovido qualquer ressalva". "Ao executar normalmente a obra contratada sem mencionar o interesse na concessão do reequilíbrio, a contratante [JB] criou a legítima expectativa no município de que não existia impedimentos no regular andamento da obra e de que não haveria necessidade de repactuação das obrigações contratuais", argumentou o município.

Na sentença, em janeiro de 2025, o juiz Eduardo de França Helene afirmou que "a mera formalização de aditivo" no contrato "não afasta o dever do município em efetuar tal reajuste", e que o pedido da empresa "deveria ter sido analisado e deferido, conforme disposto no pacto".

Essa semana, a Prefeitura apresentou recurso contra a sentença. A apelação deverá ser analisada pelo Tribunal de Justiça.

Posições.

A reportagem não conseguiu contato com nenhum responsável pela JB. O espaço segue aberto.

Já a Prefeitura afirmou que iria apresentar recurso contra a sentença e que, "para conclusão da obra, a intenção é a contratação da Urbam [Urbanizadora Municipal]", que é uma estatal - não foi informado, porém, quando essa contratação será feita.

Pelo projeto, a Efeti do Bosque dos Ipês contará com 15 salas de aula regulares, 13 oficinas para educação integral, além de cinco espaços para o programa Educação 5.0. A unidade terá capacidade de atender 900 crianças em tempo integral.

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