MASSACRE NO VALE

MST: Após prender Nero, polícia caça outro envolvido no massacre

Por Da redação | Tremembé
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução

A Justiça decretou a prisão temporária de Antonio Martins, conhecido como “Nero do Piseiro”, de 41 anos, apontado como o mentor do massacre que matou dois e deixou seis feridos no assentamento Olga Benário, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Tremembé, na noite de sexta-feira (10). Nero foi preso pela Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) de Taubaté, na tarde de sábado (11).

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A prisão temporária é de 30 dias, prorrogável pelo mesmo período. A Justiça também decretou a prisão de um outro suspeito, identificado como Ítalo Rodrigues da Silva, que ainda segue foragido. Nero e Ítalo foram reconhecidos pelas vítimas e por testemunhas do ataque. Cerca de 10 criminosos participaram do massacre, de acordo com a investigação. As equipes da Deic seguem nas ruas.

Os criminosos invadiram o assentamento com cinco carros e três motos, portando armas de fogo (calibre 12 e 9mm) e armas brancas, por volta das 23h20 de sexta-feira (10). Eles abriram fogo contra os assentados. Após o massacre, os criminosos chegaram a amarrar vítimas e prometeram que "iriam voltar".

Morreram Valdir do Nascimento, de 54 anos, o Valdirzão, considerado uma das principais lideranças do MST na RMVale, e Gleison Barbosa de Carvalho, o Guegue, que era assentado. Denis Carvalho, de 29 anos, irmão de Gleison, levou dois tiros na cabeça e está em estado grave. No sábado, o movimento chegou a confirmar a morte do jovem, mas a informação foi posteriormente corrigida.

De acordo com a polícia, Nero é apontado como mentor intelectual do crime e já tinha passagem criminal por porte ilegal de arma de fogo. O massacre, segundo a polícia, foi motivado pela disputa por um terreno na área do assentamento.

Segundo o MST, a área do assentamento desperta interesse imobiliário devido a localização privilegiada. “O Assentamento Olga Benário enfrenta uma intensa disputa com a especulação imobiliária voltada para o turismo de lazer, devido à sua localização estratégica na região do Vale do Paraíba. Há anos, as famílias assentadas vêm sofrendo ameaças e coerções constantes”, disse o movimento em seu site.

O assentamento Olga Benário do MST em Tremembé, que abriga cerca de 45 famílias, é regularizado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) há cerca de 20 anos.

O MST critica que "mesmo após diversas denúncias feitas aos órgãos estaduais e federais", não houve uma resposta efetiva para garantir a segurança e a permanência dessas famílias no território.  O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou que a Polícia Federal instaure inquérito para apurar o ataque. A pasta informou que uma equipe da PF, com agentes, perito e papiloscopista, já foi deslocada para Tremembé.

Comentários

1 Comentários

  • bras cubas 12/01/2025
    É uma piada que o Nero é o mentor intelectual do massacre, pois é mais do que evidente que tudo foi planejado por pessoas da exploração imobiliária da região, conhecidas de todo mundo, que são pessoas de bens, que matam em nome de Deus, da família, da propriedade, da pátria, e da liberdade própria, mesmo sendo assassinos.