MASSACRE NO VALE

MST diz que assentamento já era alvo de ameaças há anos no Vale

Por Da redação | Tremembé
| Tempo de leitura: 2 min
Imagem ilustrativa

Palco de um massacre, que teve como saldo dois homens mortos e seis pessoas baleadas, o assentamento Olga Benário, em Tremembé, já vinha sendo alvo de ameaças constantes "há anos", de acordo com a direção estadual do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). O movimento aponta que a área é alvo de disputa "com a especulação imobiliária".

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Em nota, o MST cobrou que o governo do estado de São Paulo faça uma "investigação rigorosa para identificar os criminosos e assegurar que a justiça seja feita".

Os criminosos envolvidos no massacre em Tremembé, na noite desta sexta-feira (10), invadiram o assentamento Olga Benário, com cinco carros e três motos, portando armas de fogo (calibre 12 e 9mm) e armas brancas. A polícia suspeita que o crime esteja ligado a disputa por terras. Após o massacre, os criminosos chegaram a amarrar vítimas e prometeram que "iriam voltar".

Morreram Valdir do Nascimento, de 54 anos, o Valdirzão, considerado uma das principais lideranças do MST na RMVale, e Gleison Barbosa de Carvalho, o Guegue, que era assentado. Denis Carvalho, de 29 anos, irmão de Gleison, levou dois tiros na cabeça e está em estado grave. No sábado, o movimento chegou a confirmar a morte do jovem, mas a informação foi posteriormente corrigida.

O assentamento Olga Benário do MST em Tremembé, que abriga cerca de 45 famílias, é regularizado pelo InCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) há cerca de 20 anos.

Veja trecho da nota da direção do MST em São Paulo:

"(...) Essa é mais uma face dos conflitos de terras no estado de São Paulo. A ausência de políticas públicas efetivas por parte do governo paulista deixa os territórios de reforma agrária vulneráveis e as famílias assentadas desprotegidas, reforçando um cenário de insegurança e violência.

O assentamento Olga Benário enfrenta uma intensa disputa com a especulação imobiliária voltada para o turismo de lazer, devido à sua localização estratégica na região do Vale do Paraíba. Há anos, as famílias assentadas vêm sofrendo ameaças constantes, mesmo após diversas denúncias feitas aos órgãos estaduais e federais, que seguem sem uma resposta efetiva para garantir a segurança e a permanência dessas famílias no território.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifesta sua solidariedade às famílias das vítimas, aos amigos e à comunidade atingida por essa tragédia. Exigimos que o governo do Estado de São Paulo realize, com urgência, uma investigação rigorosa para identificar os criminosos e assegurar que a justiça seja feita.

Os assentamentos de Reforma Agrária não podem ser abandonados à própria sorte. É imprescindível que a política de regularização fundiária atenda aos verdadeiros herdeiros da terra e aos trabalhadores camponeses, garantindo seus direitos e evitando que oportunistas se aproveitem desses territórios para promover ameaças e colocar em risco a segurança das famílias assentadas".

*Matéria atualizada às 14h01

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