POLÊMICA NA EDUCAÇÃO

Anderson veta livro com Marielle Franco em escolas de São José

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Marielle Franco e Débora Diniz são retratadas no livro recolhido em São José
Marielle Franco e Débora Diniz são retratadas no livro recolhido em São José

Recolhido das escolas municipais de São José dos Campos após a reclamação de um vereador, em junho deste ano, o livro “Meninas Sonhadoras, Mulheres Cientistas” não será mais utilizado pelos alunos do ensino fundamental.

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É o que disse o prefeito Anderson Farias (PSD) em resposta a requerimento do vereador Thomaz Henrique (PL), que provocou o recolhimento da obra das escolas após reclamar do livro durante sessão da Câmara em 11 de junho.

Thomaz disse que a publicação faz apologia ao aborto e doutrinação ideológica. A obra foi retirada das escolas no dia seguinte para avaliação da Secretaria de Educação e Cidadania.

Na ocasião, o vereador citou referências à antropóloga Débora Diniz e à socióloga e ex-vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018. Ambas estão retratadas na obra.

Escrito pela juíza Flávia Martins de Carvalho e lançado em julho de 2022, o livro usa textos e poesias para homenagear 20 mulheres com histórias inspiradoras, de sucesso e superação. Assim como a autora, a maioria das mulheres mencionadas são negras e brasileiras.

Na resposta ao requerimento, Anderson informou que, após análise, foi decidido que o livro não será utilizado pelos alunos do ensino fundamental.

A decisão contraria avaliação do Ministério Público e da Defensoria Pública de São Paulo, que ingressaram com uma ação civil pública na Justiça para garantir o retorno do livro às escolas de São José.

Na ação, os órgãos afirmam que a retirada do livro foi motivada exclusivamente por “questões político-ideológicas”, configurando “ato de censura”, o que afetou diretamente todas as crianças e adolescentes da rede de ensino da cidade, além da “qualidade da educação, a formação crítica dos estudantes, a construção de uma sociedade pluralista, o princípio da autonomia escolar e a gestão democrática do ensino”.

Como revelado por OVALE, o livro foi utilizado por todo o ano de 2023 nas salas de leitura das escolas de São José sem qualquer reclamação.

A informação foi dada por assessora de política educacional da rede municipal de ensino de São José em depoimento ao Ministério Público e à Defensoria Pública.

Uma das responsáveis por fazer a curadoria dos livros para as escolas públicas municipais, a servidora da Secretaria de Educação e Cidadania de São José disse ao MP e à Defensoria que o livro de Flávia Martins foi comprado no final de 2022, “com base no currículo escolar e parecer da equipe pedagógica”.

Foram adquiridos cerca de 100 exemplares para utilização dos alunos a partir do 6º ano do ensino fundamental. A compra atendia ao disposto em duas leis, que tornaram obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas disciplinas dos ensinos fundamental e médio.

Sobre a obra, a assessoria disse que o livro retrata a trajetória de mulheres cientistas e pesquisadoras com linguagem própria para os alunos, e confirmou que a obra foi usada ao longo de 2023 pelos alunos e professores sem nenhuma reclamação.

Comentários

2 Comentários

  • Maria Cecília 20/09/2024
    Como vamos eleger um prefeito e um vereador que faz censura, que não respeita a democracia, que não respeita a memória e história da Marielle Franco e tantas outra mulheres assassinadas e caladas por lutar pelos direitos do povo??
  • DOMINGOS SAVIO DA SILVA 20/09/2024
    Felizmente o prefeito nao vai ser reeleito, espero que o proximo foque apenas nos problemas da cidade