CRIME DE ÓDIO

'Começa a rezar', disse matador antes de degolar gay em São José

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Repórter Especial
Reprodução

“Desça do carro e comece a rezar”, disse o matador. No lugar de vela, uma faca.

Esse foi o cenário trágico dos últimos minutos da vida do cabeleireiro Amarildo Custódio de Oliveira, de 42 anos, assassinado em São José dos Campos em maio de 2013. Um dos matadores foi preso nesta terça-feira (3).

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Célio Pereira da Silva, de 41 anos, foi denunciado por ter matado Amarildo, que era homossexual, a golpes de faca, ao lado de outros dois matadores: Eder Borrelio Mello e Luiz Cláudio Alves – ambos já estão mortos.

Amarildo foi encontrado com o pescoço cortado e jogado numa valeta de água numa das entradas de um condomínio do bairro Urbanova, na região oeste de São José. Na época, o companheiro de Amarildo só não foi assassinado porque conseguiu fugir dos matadores.

O crime.

Amarildo vivia com seu companheiro, em união estável, num quarto alugado no bairro de Santana, na região norte de São José. Eles eram inquilinos do pai de um dos matadores.

Por estarem com o aluguel em atraso, os dois homens gays foram despejados pelo dono do imóvel, e desentenderam-se com ele.

Segundo a investigação, Eder chamou os dois amigos para retirarem os pertences das vítimas do quarto alugado, sendo que chegaram a discutir com eles, deixando as coisas na calçada.

Além da humilhação, os acusados decidiram dar cabo da vida de Amarildo e de seu companheiro. Os três saíram no encalço do casal.

‘Comece a rezar’.

O companheiro de Amarildo conseguiu fugir da perseguição, mas o cabeleireiro foi capturado pelos criminosos e obrigado a entrar num carro. Então, ele foi levado para um “lugar ermo” em Urbanova.

Os criminosos mandaram Amarildo descer do carro e, sob grave ameaça, ele foi obrigado a “começar a rezar”. Nesse momento, Célio cortou o pescoço do cabeleireiro, degolando-o. Ele ainda desferiu golpes de faca na testa e nas costas da vítima, jogando Amarildo numa valeta do local. O cabeleireiro estava morto.

Os matadores levaram o carro embora e o lavaram para retirar as “várias marcas de sangue”. Dormiram e fizeram o mesmo no dia seguinte.

Motivo torpe.

A denúncia aponta que o crime aconteceu por motivo torpe, em razão de as vítimas serem homossexuais e deverem aluguel para  o pai de um dos matadores.

Amarildo também foi impedido de se defender, em razão da superioridade numérica dos criminosos, que também queriam matar o companheiro dele, que só sobreviveu por ter conseguido fugir dos perseguidores.

De acordo com o Ministério Público, que denunciou os três comparsas, a vítima sobrevivente reconheceu os autores, que confessaram a participação no crime.

Com Eder e Luiz Cláudio mortos, restou a Célio responder pelo homicídio com resquícios de ódio.

Ele foi preso nesta terça-feira (3) a partir de um mandado de prisão preventiva expedido em fevereiro deste ano e será encaminhado à cadeia pública de Caçapava.

Célio foi detido por investigadores da Delegacia de Homicídios, da Deic (Delegacia de Investigações Criminais) de São José dos Campos. A Polícia Civil informou que ele já foi pronunciado pela Justiça e agora vai ser julgado no plenário do Júri.

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