A Polícia Civil de São José dos Campos encaixou nesta segunda-feira (19) a peça que faltava para compreender a trama macabra que terminou com o assassinato de Danielle Regina de Moraes Souza, 31 anos.
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Mãe de três filhos e prestes a ser avó, ela morreu em 15 de junho em decorrência de queimaduras por todo o corpo. Danielle, que era usuária de crack e vivia em situação de rua há cerca de quatro anos, teve todo o seu corpo queimado em um crime que chocou a cidade.
Além de Danielle, o ataque provocou queimaduras em cerca de 80% do corpo do ex-namorado dela, de 36 anos, que foi internado e sobreviveu. Duas pessoas foram presas pelo crime, depois de investigações da Delegacia de Homicídios de São José dos Campos.
Segundo a polícia, o cenário do crime envolve consumo de drogas, vida na rua e ciúmes doentio, um caldeirão de problemas emocionais, psiquiátricos e de ordem social que transforma as ruas da cidade em desafio para o poder público.
Ex-namorado.
O primeiro preso foi um ex-namorado de Danielle que não aceitava o fim do relacionamento com ela, e a teria atacado com fogo. Além dele, a polícia prendeu, nesta segunda-feira (19), uma mulher trans que teria tido um relacionamento com o atual namorado da moça, e que também nutria um ciúme agressivo.
Ambos são investigados por terem tacado fogo no casal em um lugar chamado “cativeiro”, um pequeno cômodo com grades situado nos fundos de um ferro velho, na zona sul de São José. O lugar é ponto onde usuários escolhem para usar drogas, pernoitar ou fazer sexo. Foi lá que Danielle e o namorado foram queimados.
“Foram dois os investigados: o homem por ciúmes da mulher e a mulher trans por ciúmes do homem, todos moradores em situação de rua. Os dois investigados estão presos”, informou a Polícia Civil.
Danielle e o atual namorado viviam em situação de rua e consumiam drogas, segundo testemunhas. Eles mantinham um relacionamento de pouco tempo quando foram atacados pelo ex-namorado de Danielle e a mulher trans, ambos presos.
Drama das drogas.
Em depoimento à polícia, a mãe de Danielle confirmou que a filha era usuária de drogas desde que tinha 17 anos. Nos últimos quatro anos, ela passou a utilizar crack e começou a viver em situação de rua por conta do vício, voltando para casa a cada 15 ou 20 dias.
Ela chegou a se casar com um homem e teve a primeira filha, hoje com 17 anos. A menina está grávida e Danielle morreu sem conhecer o neto. O casamento dela durou cerca de três anos. Segundo a mãe, ela teve mais dois filhos com pais diferentes. Os três filhos têm 17, 12 e 7 anos.
No Natal do ano passado, Danielle visitou a mãe e apresentou o que seria seu novo namorado. Uma amiga contou à polícia que Danielle chegou a morar junto com esse homem, numa casa no bairro Dom Pedro 2º, mas o caso não durou muito e Danielle voltou às ruas.
Foi então que, em 2 de junho, a mãe soube através de conhecidos que sua filha estava internada no pronto-socorro do Hospital Municipal, na Vila Industrial, com o corpo queimado e sem qualquer documento. Ela reconheceu Danielle e soube que outro homem havia sido internado com a filha, também queimado.
Na madrugada de 15 de junho, a mãe recebeu uma ligação do hospital informando sobre o falecimento de Danielle, que foi enterrada no cemitério municipal Colônia Paraíso, em São José.
Investigação.
Ao receber a notícia, a mãe de Danielle passou a rodar a zona sul da cidade para levantar informações sobre a morte da filha. Ela contou aos policiais que o responsável pelas queimaduras e posterior morte da filha teria sido seu ex-namorado. A atitude “fria e egoísta” dele seria por “simplesmente não aceitar o fim do relacionamento”.
De acordo com o relato policial, o suspeito foi reconhecido por foto como sendo o autor da morte de Danielle e também a pessoa que começou a namorá-la no final de 2023. Ele foi preso. Nesta segunda, a polícia praticamente encerrou o caso com a prisão da segunda envolvida no crime.