Um caso de suposta tentativa de homicídio agitou as redes sociais nesta terça-feira (25), em São José dos Campos. O modelo William de Oliveira Santos, 34 anos, acusa um cabeleireiro de 58 anos de tê-lo atacado com uma faca.
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“Escapei da morte”, escreveu William no Instagram, onde tem 20,3 mil seguidores. “Cuidado com quem vocês colocam dentro de casa. Meu colega de quarto me esfaqueou”.
William, que também é estudante de educação física, acusa o cabeleireiro de tê-lo atacado com uma faca, na manhã de domingo (23). O caso foi registrado como lesão corporal e está sob investigação no 1º Distrito Policial de São José.
Ambos prestaram depoimento à polícia. O cabeleireiro alega legítima defesa e sustenta que William era seu namorado, e que ambos teriam tido um desentendimento.
O modelo nega o relacionamento e disse que foi atacado com uma faca por ter pedido ao colega que deixasse o quarto com banheiro que ambos dividiam, num pequeno prédio na região central de São José.
“Achei que não ia escapar. A sede de sangue que ele estava enquanto me esfaqueava, as coisas que ele falava, que ia preso mas me mataria, foi traumatizante”, escreveu William nas redes sociais. Ele também gravou vários vídeos denunciando o ataque. William passou por exame de corpo de delito na segunda-feira (24).
CONCURSO DE BELEZA.
Ele conta que conheceu o cabeleireiro entre o final de março e começo de abril deste ano, enquanto trabalhava num shopping no centro da cidade. Ele o teria abordado e convidado a participar de um concurso de beleza, que iria acontecer em São José.
Ambos começaram a trocar mensagens e o cabeleireiro, depois de certo tempo, teria reclamado da distância de onde morava (zona norte de São José) para a região central, e que buscava um lugar mais próximo.
William disse que estava desempregado na ocasião e ofereceu dividir o quarto e o aluguel com o cabeleireiro, que topou. “O tempo passou e ele começou a pagar o aluguel sozinho, e começou a criar um caso”, disse o modelo.
“Ele dizia para algumas pessoas que eu era sobrinho dele e para outras que era marido dele, além de outras histórias. Ficava uma coisa estranha. A partir do momento que saía com outras pessoas, ele começou a ter ciúmes e vinha mais agressivo. Ele me deu um beliscão no pescoço uma vez”, contou William.
AGRESSÃO.
Na madrugada do último domingo, após chegar de uma balada, William disse que pediu ao colega que saísse do quarto e fosse embora. Segundo o modelo, ele dormia em uma cama de casal enquanto o cabeleireiro ficava numa de solteiro.
“Pedi para ele sair naquele domingo. Nesse momento, ele pulou com a faca em punho, que estava escondida em algum lugar, e me atacou”, afirmou William. “Ele pulou em cima de mim e fiquei preso embaixo das pernas dele. A estocada no peito foi a primeira e depois machuquei as mãos tentando segurar a faca. Ele foi cortando [os dedos] e pegou ainda perto do pulmão”.
Segundo o relato do modelo, o cabeleireiro teria dito que ia para a cadeia, mas que William iria morrer. “Escapei de ser morto, pelas coisas que ele me falava. Ele estava com a faca e tentou me matar. Ele sabia manusear a faca. Foi o livramento de Deus que me salvou. Vi a morte ali”.
Ainda segundo William, ele conseguiu empurrar o colega e sair do quarto. Um vizinho estava com a porta aberta e teria chamado a polícia. “Ele não teve coragem de me perseguir”, disse o modelo.
POLÍCIA.
A Polícia Militar esteve no local. No vídeo postado por William, é possível ver manchas de sangue pelo corredor e dentro do quarto, inclusive em cima da cama. Ele levou pontos na lateral do corpo, no peito e numa das mãos. Disse que precisou fazer uma tomografia no Hospital Municipal de São José para verificar se o pulmão tinha sido atingido. Não foi.
“Ele foi dar depoimento na delegacia e disse que tinha um relacionamento comigo, o que não é verdade. Ele tem vários boletins contra ele”, disse William.
Nos vídeos postados na internet, o modelo disse que o cabeleireiro teria fantasiado o relacionamento com ele: “Com o passar do tempo, fui percebendo que ele achou que tinha um relacionamento comigo e eu sempre deixei claro que não. Ele estava misturando as coisas na cabeça dele quando eu não proporcionava o que ele esperava”.
Ele reforçou a posição na conversa com a reportagem: “Não cheguei a ter nada com ele. Pelo fato de morar junto ele imaginou isso, e associou algo errado. Era apenas amizade. Eu evitava levar gente em casa por respeito, porque não teria privacidade. Ele estava paranoico”.
Também procurado pela reportagem, o cabeleireiro disse que "os trâmites judiciais" do caso estão sendo preparados por uma advogada e que "toda história tem três versões e cada um aceita o que quer".
E completou, criticando William: "Minha defesa está como legítima defesa e será tudo esclarecido na justiça, não por meios de postagens de uma pessoa que sua conduta o condena".
INVESTIGAÇÃO.
O exame de corpo de delito de William deve ficar pronto em até 15 dias e subsidiar a investigação da Polícia Civil. Já acompanhado por um advogado, o modelo disse que vai tentar transformar a denúncia de lesão corporal em tentativa de homicídio, além de tomar precauções de segurança.
“Tenho medo de que ele vá tentar me perseguir. Vou tomar todo o cuidado. Só saio de casa acompanhado. Minha ficha ainda está caindo. Escapei da morte mesmo. Não sei até que ponto as ameaças dele podem ser reais”, afirmou William.