GOLPE DE ESTADO

Condenadas do Vale pelo 8/1 fugiram de barco para Argentina

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Alethea Verusca ao lado de Bolsonaro
Alethea Verusca ao lado de Bolsonaro

Investigados e condenados pelo ato golpista do 8 de Janeiro usaram vias fluviais e terrestres, incluindo barcos e longos deslocamentos a pé, para escapar da Justiça brasileira e buscar abrigo em países vizinhos, especialmente na Argentina.

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De acordo com a PF (Polícia Federal), cerca de 180 pessoas que se envolveram na ação antidemocrática ainda estão foragidas. A informação é de O Globo. Duas mulheres do Vale do Paraíba estão nessa lista.

Letícia Santos Lima, 31 anos, de Taubaté, e Alethea Verusca Soares, 49 anos, de São José dos Campos, teriam se livrado das tornozeleiras eletrônicas e fugido para a Argentina.

A cabeleireira Alethea usou um barco para sair do Uruguai e chegar à Argentina. A moradora de São José teve um pedido para inclusão na lista da Interpol encaminhado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) ao STF (Supremo Tribunal Federal) no mês passado.

Em novembro do ano passado, a cabeleireira havia sido condenada por executar as depredações nas sedes dos três Poderes a 16 anos de prisão, ao pagamento de multa de R$ 47 mil e a indenização por danos morais coletivos.

Segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, além do monitoramento eletrônico, Alethea deveria respeitar o recolhimento domiciliar à noite e nos finais de semana e comparecer semanalmente no fórum da comarca onde mora. Ela também ficou proibida de sair do país e de usar redes sociais.

“O descumprimento das medidas cautelares demonstra sua falta de comprometimento com a alternativa que lhe foi concedida”, escreveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em parecer.

Entre as possíveis rotas utilizadas pela foragida está uma viagem de duas horas e 45 minutos feita de ferry boat entre o Mercado del Puerto, em Montevidéu, ao Puerto Madero, em Buenos Aires. Pelo trajeto, há passagens disponíveis na internet por US$ 90, cerca de R$ 500.

ASILO NA ARGENTINA.

Letícia utilizou os meios fluviais para fugir: ao Conare (Comissão Nacional para os Refugiados), na Argentina, ela disse ter saído de Taubaté e ido até o Paraguai. De lá, fez de balsa a travessia entre Presidente Franco, margem paraguaia do Rio Paraná, e Puerto Iguazú, margem argentina do Rio Iguaçu.

Ainda respondendo a uma ação penal que tramita no STF, Letícia havia ficado presa no Distrito Federal e, desde fevereiro, estava em liberdade provisória. Em um vídeo postado nas redes sociais, ela disse que deixou o Brasil por ser vítima de “perseguição política”.

“A gente não pode ter o pensamento contrário ao governo que está no poder. Deixei tudo para trás e fui buscar minha liberdade”, afirmou.

Além da Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru foram destinos das movimentações dos foragidos. Assim como Letícia, pelo menos outras 61 pessoas acionaram o Conare de março até agora.

Sob a presidência de Javier Milei, aliado de Jair Bolsonaro, a Argentina passou a ser vista como um país mais seguro para a permanência. Parlamentares bolsonaristas, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente, já se manifestaram a favor de um “asilo político” aos fugitivos.

Até o momento, 224 pessoas foram condenadas pelo STF por participação nas invasões e depredações. No total, a PGR ofereceu 1.413 denúncias. No início do mês, a PF prendeu 50 alvos que estavam escondidos pelo Brasil, em uma operação direcionada à busca de foragidos.

EXTRADIÇÃO.

Atualmente, a PF compila as informações coletadas também por meio de cooperação internacional com as polícias locais para, a partir da identificação do destino dos foragidos, fechar uma lista para envio ao STF e então ao Ministério da Justiça, a fim de que seja solicitada a prisão para extradição do grupo.

Na quarta-feira (19), o Itamaraty recebeu do governo argentino uma lista com 62 nomes de investigados pelos atos antidemocráticos que entraram no país. Com a comunicação, a PF começará com os pedidos de extradição.

Um dos entraves para essa medida, no entanto, é a análise desses pedidos de refúgio pelo governo Milei. Caso fique configurado que se tratam de perseguidos políticos, será pouco provável que a extradição prospere.

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