PERIGO NAS ESTRADAS

Rachas em rodovias preocupam autoridades brasileiras

Por Adele Olivier | Brasil
| Tempo de leitura: 2 min
Ilustrativa
A prática de racha está sendo popularizada
A prática de racha está sendo popularizada

Em pleno século 21, as rodovias brasileiras têm sido palco de um fenômeno perigoso e ilegal: as corridas de rua, popularmente conhecidas como "rachas". Estas competições clandestinas entre veículos com motores modificados têm atraído não só a atenção de jovens, mas também a censura das autoridades e o repúdio de especialistas em segurança viária.

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Recentemente, vídeos de rachas têm se tornado virais nas redes sociais, acumulando milhares de visualizações e alimentando uma cultura que desafia as leis de trânsito e põe em risco a vida dos participantes e também a de inocentes que compartilham o mesmo espaço rodoviário.

O Código de Trânsito Brasileiro, em vigor desde 2014, é claro quanto à ilegalidade dessas práticas. O artigo 173 proíbe expressamente as corridas em vias públicas, estipulando multas severas, suspensão da CNH, apreensão do veículo e acúmulo de pontos na carteira para os infratores. No entanto, a aplicação efetiva dessas penalidades tem sido desafiada pela ousadia dos envolvidos.

Influenciadores digitais têm contribuído para a popularização dessas atividades ilícitas, gravando e compartilhando vídeos das corridas como se fossem feitos para entretenimento, ignorando as graves consequências que podem resultar dessas práticas. Alguns, inclusive, têm sido celebrados e até mesmo enriquecido às custas dessa atividades.

O perigo real desses eventos fica evidente nos acidentes que já ocorreram. Em um caso notório envolvendo um influenciador de São Paulo, uma batida a mais de 170 km/h resultou em danos materiais significativos, sem ferimentos graves. Não são raros os casos de acidentes graves e até fatais associados aos rachas, como o ocorrido em Barueri, onde uma passageira de mototáxi perdeu a perna em um incidente atribuído a essa prática ilegal.

A impunidade tem sido uma questão preocupante, conforme apontado por especialistas como Rodolfo Rizzotto, fundador do projeto SOS Estradas. A dificuldade em fiscalizar essas corridas clandestinas, aliada à facilidade de identificação e evasão de radares, cria um ambiente propício para a continuidade desses eventos perigosos.

Para o ativista, a conscientização sobre os riscos envolvidos e a responsabilidade de todos os cidadãos, incluindo influenciadores e plataformas digitais, são importantes para combater essa cultura de  desrespeito às leis de trânsito. A segurança viária deve ser prioridade, e a tolerância zero para atividades ilegais nas estradas é crucial para garantir a proteção de todos os usuários.

A respeito do assunto, um projeto de lei (PL nº 130/2020) que previa a suspensão da CNH por 12 meses para quem divulga conteúdo com infração de trânsito chegou a ser aprovado no Congresso, mas foi vetado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL).

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