MORTE NA DUTRA

Luto: 'Você se foi no meu aniversário', diz irmã no adeus a Pedro

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Pedro morreu aos 25 anos
Pedro morreu aos 25 anos

"Você se foi no dia do meu aniversário, meu irmão, te amo".

Com estas palavras, Simone Lopes se despediu do irmão Pedro Henrique Gimenes Lopes, 25 anos, motoboy que perdeu a vida em um acidente na Via Dutra, em São José dos Campos, no último domingo (5). "Sei que você já está nos braços de Deus. E muito feliz. Te amo, meu irmão", postou Simone, em suas redes sociais. Pedro era muito querido pelos 'motocas', que prestaram homenagem a ele na cerimônia de sepultamento.

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Batalhador e cheio de sonhos, Pedro estava trabalhando como motoboy no domingo quando sofreu o acidente na Via Dutra, nas proximidades da Vila Industrial, na zona leste da cidade. Nas redes sociais, o jovem já havia feito um apelo para que os motoristas respeitassem os 'motocas'. "Não fechem os motoboys", pediu Pedro.

De acordo com a família, ele era muito trabalhador, zeloso com as leis de trânsito e um homem de paz. "Meu irmão era um cara muito certo muito correto em tudo na vida dele. Nunca passou ninguém para trás, não gostava de brigas, era na dele. Gostava de conversar fazer amizades ser prestativo. Não falo isso pq ele morreu não. Ele tinha defeitos sim, implicante, metódico, me deixa louca, mas ninguém pode falar mal dele", escreveu Simone.

"Pedro sua irmã aqui te ama e vai te amar pra sempre. Cuidei de você quando nasceu, que a mãe teve depressão pós-parto. Todos achavam que você era meu filho. Eu puxava sua orelha como uma mãe. Brigava mesmo com vc, mas sua Tatinha, sua Tata, como você me chamava... era para o seu bem e você reconhecia isso, falava 'tá bom Tata, vou melhorar'. Você se foi no dia do meu aniversário, meu irmão, te amo", completou ela.

PERFIL.

Apaixonado pela namorada e por motos. Pedro trabalhava duro para conquistar os seus sonhos, de acordo com o relato de amigos e familiares. Amante da liberdade, o jovem amava a profissão e morreu enquanto cumpria o seu dever, quando se dirigia para uma entrega. Além das declarações de amor à namorada, Thamires Cristiele, ele amava o que fazia e sonhava um dia conseguir comprar uma moto mais possante, uma Hornet.

Irmão de Pedro, o tatuador Markinho Gimenes afirmou que as "pessoas boas vão embora mais cedo" e que Pedro era um jovem da paz, que não brigava com ninguém e adorava estar com os companheiros de profissão.

Como ele era muito querido, a despedida de Pedro atraiu uma multidão. "Tenho certeza que ele está pulando de alegria, toda essa galera foi por você irmão, e assim como você é querido aqui, Deus já me disse que você está em boas mãos e sendo querido aí no paraíso também, é o mínimo que você merece. Nós te amamos", postou o irmão após o enterro.

Markinho contou que os próximos dias serão “uma barra para a família” em razão de a missa de sétimo dia de Pedro cair no Dia das Mães, além de aniversários que ocorreram há pouco tempo. “Vai ser um momento que não via sair da nossa cabeça. Hoje é aniversário da minha irmã, sexta foi o meu e nos dias 1ª e 2 de março foi o do meu pai e o dele [Pedro]. A missa de sétimo dia via cair no Dia das Mães. Vai ser uma barra para a família.”

SONHADOR.

Apaixonado por motos, Pedro havia comprado a primeira moto zero quilômetro há quatro anos, com uma celebração nas redes sociais: “Mais um sonho realizado, minha primeira moto 0KM”, escreveu ele em janeiro de 2020, ao lado do veículo vermelho.

Markinho contou que ele vinha guardando dinheiro para realizar o sonho de ter uma moto mais possante. Para tanto, ele trabalhava como entregador por aplicativo, fazia entregas para bares da cidade e ainda trabalhava fora da região, como na capital. “O maior sonho dele era conquistar uma moto possante, uma Hornet. Ele saía de São José para trabalhar em São Paulo, até debaixo de chuva, para juntar o dinheiro e comprar a moto, mas infelizmente ele não conseguiu, mas ele batalhou muito”, afirmou o irmão.

“Ele tinha uma namorada e era um cara da liberdade, de montar na moto e sair para rua. Infelizmente, foi uma fatalidade [o acidente] e creio que as pessoas boas vão mais cedo. Mas é preciso conscientizar os motoboys para a galera tomar cuidado e os carros para sempre olharem em volta”.

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