MORTE NA TAMOIOS

Empresário dono de Volvo está sendo ameaçado de morte, diz defesa

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 6 min
Reprodução
De acordo com a defesa, o cliente é inocente
De acordo com a defesa, o cliente é inocente

O empresário Kelvin Barbosa Ribeiro, 31 anos, motorista do Volvo XC60 prata que atropelou e matou o motociclista Cristiano Teixeira de Oliveira, 39 anos, em um acidente na Rodovia dos Tamoios, em São José dos Campos, no último sábado (27), está sofrendo ameaças de morte, de acordo com o seu advogado de defesa, Rodrigo Coelho da Cunha. Segundo a defesa, o cliente fugia de bandidos quando, acidentalmente, bateu na moto. A família de Cristiano cobra Justiça e quer a prisão do empresário, que foi ouvido e liberado pela polícia.

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De acordo com a defesa de Kelvin, o empresário teme pela sua segurança e da família e vem recebendo ameaças. Nos últimos dias, ele deletou suas redes sociais. "[Motorista] Está recebendo ameaças após a ampla divulgação do caso pela imprensa, temendo pela vida de sua esposa e filho", diz trecho da nota encaminhada pela defesa à redação de OVALE (leia abaixo a nota completa).

O acidente aconteceu por volta de 1h50 de sábado (27) em um acesso à Rodovia dos Tamoios, no Km 8, na altura da Vila São Bento, e foi comunicado à polícia às 2h12. A polícia encontrou a moto atada ao Volvo XC60 prata, presa ao carro, em razão da violência da batida. O carro de luxo atropelou a moto por trás, matando Cristiano. Testemunhas dizem que Kelvin dirigia em alta velocidade, fazendo zigue-zague na pista. A defesa do empresário nega.

Após o choque, Cristiano caiu. De acordo com testemunhas, ao invés de parar e ajudar a socorrer o motociclista, Kelvin seguiu por cerca de dois quilômetros, com a moto presa ao Volvo, fazendo manobras para tentar fazê-la se desprender. A defesa nega, afirmando que o cliente estava fugindo de dois criminosos e, acidentalmente, chocou-se contra a moto.

Motociclistas e entregadores foram os primeiros a presenciar a tragédia. Relatos narram que o motorista do Volvo teria passado sobre o corpo da vítima. “O corpo estava muito machucado”, disse Cristian Teixeira, irmão da vítima.

Mesmo fazendo zigue-zague, o motorista não conseguiu desprender a moto de seu carro, então seguiu pela Tamoios no sentido Caraguatatuba, e entrou na alça de acesso para os bairros na região do Putim. Ele passou sob um viaduto na Tamoios e seguiu por mais alguns metros, onde parou com o carro, em uma avenida de acesso ao bairro. Neste momento, uma testemunha ouvida pelo OVALE narra o encontro.

“Eu estava fazendo o sentindo inverso dele na avenida e vi ele parando e descendo do carro. Ele estava doidão, com certeza estava embriagado”, disse. O motorista, segundo a testemunha, desnorteado, saiu do carro armado. Olhando para os lados, ele atirou para cima. “Eu fiquei com medo, mas vi ele correndo em uma rua e sumiu”, disse a testemunha que se apresentou ao DP. A capsula da pistola .40 foi apreendida pela perícia no último sábado (27).

De acordo com a defesa, o motorista não bebe e não usa drogas, ele teria saído do carro e atirado por medo dos bandidos de que afirma que estava fugindo.

Outras testemunhas também prestaram depoimento à delegada Maura Batalha Braga, responsável pelas investigações e reviveram a madrugada do último sábado. O motorista do Volvo se apresentou com o advogado na segunda feira (29). Ele prestou depoimento e deu sua versão ao fato. O caso está sendo investigado como "homicídio culposo na direção de veículo automotor".

A família da vítima, revoltada, cobra a prisão de Kelvin, que saiu pela porta da frente da delegacia após prestar depoimento. Testemunhas afirmaram que o empresário, dono de uma casa de ferragens, aparentava estar sob efeito de álcool. Como fugiu do local do acidente, o motorista não foi submetido ao exame de bafômetro. Nos últimos dias, o empresário apagou as postagens em suas redes sociais, assim como na página de sua loja. A defesa de Kelvin afirma que vai colaborar com as investigações.

"Esse cara matou o meu pai, não pode ficar solto aí na rua! E muito menos responder em liberdade", afirmou a adolescente Melissa Oliveira, de 15 anos, filha de Cristiano. Definido como uma "referência como cristão", Cristiano criava os dois filhos sozinho após perder a esposa, há um ano e meio, depois de três anos lutando contra o câncer, e dizia que a família era o seu maior tesouro.

Querido, Cristiano trabalhava como motorista e era também diácono. O sentimento de impunidade revoltou a família e os amigos, que prometem lutar para que o motorista do Volvo seja punido. "Isso é um tapa na cara da sociedade, isso mostra o quão abandonadas estão as leis no Brasil, estou revoltada com tamanha crueldade foi este 'acidente'. Não me calarei, vou até o fim, e enquanto não ver a justiça feita não vou sossegar", postou uma prima da vítima.

O fato do motorista do carro de luxo ter sido ouvido e liberado revoltou a família, que pede justiça e lançou nas redes sociais a hastah #justiçapelocristiano.

OUTRO LADO.

O advogado Rodrigo Coelho da Cunha, que defende Kelvin no caso, enviou uma nota à reportagem de OVALE na noite desta terça-feira com a  versão do motorista sobre o acidente. De acordo com a defesa, Kelvin estaria escapando de uma abordagem criminosa e acelerou o carro, batendo "por uma fatalidade" na moto de Cristiano. Segundo a defesa, o empresário e sua família estão recebendo ameaças. Leia abaixo a nota na íntegra:

"Na condição de advogado do motorista que está sendo investigado pela morte do sr. Cristiano Teixeira Oliveira, que veio a falecer em decorrência do acidente de trânsito ocorrido na Rodovia dos Tamoios, no dia 27/04/2024, temos a informar o seguinte: 1. Enquanto trafegava pela Rodovia dos Tamoios, em direção a sua residência, o motorista percebeu a aproximação de duas motocicletas, tendo uma delas sinalizado em direção ao seu veículo e outra ingressado na contramão em direção ao seu carro para iniciar a abordagem criminosa. Naquele momento, temendo por sua vida, acelerou o veículo com o objetivo de se evadir do local, vindo a colidir, por fatalidade, com a motocicleta dirigida pelo sr. Cristiano Teixeira Oliveira.

2. Assim que ouviu o barulho da colisão, percebeu que a moto havia ficado acoplada ao parachoque do veículo e, sem identificar o motociclista e sem vê-lo caído ao chão, permaneceu em fuga em direção ao bairro mais próximo em busca de ajuda. Informa ainda que possui arma de fogo registrada e efetuou disparo para o alto com o intuito de afastar os criminosos.

3. O motorista informa que se apresentou espontaneamente à autoridade policial, que está colaborando para a elucidação dos fatos e que lamenta profundamente a morte do sr. Cristiano Teixeira, solidarizando-se com a família da vítima e colocando-se à disposição para dar todo o suporte que for necessário.

4. O motorista nunca respondeu a nenhum processo criminal, não faz uso de bebidas alcoólicas ou de drogas e pede para que sua vida pessoal não seja exposta, pois está recebendo ameaças após a ampla divulgação do caso pela imprensa, temendo pela vida de sua esposa e filho.

5. Por fim, esclarece que o motorista agiu em estado de necessidade, sem nunca assumir o risco pelo acidente ou agir de forma negligente ou imprudente, cujos fatos serão devidamente comprovados pelas provas já encaminhadas para a Polícia Civil".

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