POLÊMICA

Vereador Thomaz Henrique tem pedido de cassação por fala sobre ditadura militar em SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Flávio Pereira / CMSJC
Thomaz Henrique na Câmara de São José
Thomaz Henrique na Câmara de São José

Foi protocolado na Câmara de São José dos Campos um pedido de cassação do mandato do vereador Thomaz Henrique (PL), por quebra de decoro parlamentar.

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A representação foi registrada nesta segunda-feira (8 ) e motivada pelo discurso do vereador em sessão da última terça-feira (2), quando Thomaz Henrique disse: "Quem sabe se o governo militar tivesse matado mais comunistas, mais terroristas, tinha evitado o que está acontecendo hoje no Brasil”. A declaração causou polêmica e foi repudiada por outros vereadores.

“A defesa das instituições é a missão base de um vereador. Por isso, é inaceitável que qualquer vereador defenda esse tipo de coisa aqui na Câmara Municipal”, afirmou Fabrício Filho, autor do pedido de cassação. Ele é formado em Direito, pós-graduado em Cidades Inteligentes e pré-candidato a vereador pelo PSD.

Além do pedido de cassação, Fabrício Filho, divulgou nas redes sociais o convite para uma manifestação na Câmara nesta terça-feira (9), às 16h, em repúdio à declaração de Thomaz Henrique.

“A defesa de homicídios é inadmissível. Em São José, esse tipo de comportamento não será tolerado”, disse.

No documento protocolado na Câmara, ele apontou que Thomaz Henrique “ultrapassou os limites éticos e legais ao demonstrar desprezo pela vida humana, ao defender a execução sumária de pessoas comprometidas com ideologias políticas diversas, ao confirmar desrespeito pela memória das vítimas e seus familiares e ao incentivar o uso da violência física para dirimir divergência política, inclusive na contemporaneidade”.

Afirmou ainda que a conduta do vereador “afronta o regime democrático e diversas normas de caráter constitucional e infraconstitucional vigentes, bem como infringe disposições da Resolução 11/1996, que dispõe sobre o Código de Ética dos Vereadores de São José dos Campos, em comportamento totalmente incompatível com a lei, a ética, a dignidade e o decoro parlamentar, dando azo para a presente representação”.

Por fim, Fabrício Filho, argumentou que a fala do parlamentar de São José “não pode ser abarcada pela liberdade de pensamento e de expressão, ao contrário, perfaz-se em utilização indevida das prerrogativas inerentes ao mandato, uma vez que se caracteriza como discurso de ódio, indicando ausência de empatia, não aceitação das diferenças (discriminação e intolerância) e ferindo as garantias e direitos fundamentais de cidadãos”.

PROCEDIMENTO.

O Código de Ética do Legislativo determina que o presidente da Câmara, Roberto do Eleven (PSD), encaminhe o pedido de cassação para análise na Comissão de Ética, que é formada pelos vereadores Robertinho da Padaria (PRD), Roberto Chagas (PL), Renato Santiago (União), Juliana Fraga (PT) e Rafael Pascucci (PSD).

Após a apreciação do pedido, a Comissão de Ética pode arquivar a representação, sugerir censura ao vereador ou instaurar o processo que, ao final, poderá levar à cassação do mandato pelo voto de dois terços dos vereadores.

OUTRO LADO.

Por meio de nota, o vereador Thomaz Henrique disse que “qualquer cidadão pode pedir a cassação de um vereador, é parte da democracia. Sobretudo agora, véspera de período eleitoral, é natural que a esquerda joseense e pré-candidatos em geral procurem projeção em cima do vereador que mais se opôs à esquerda e ao sistema, fazendo pedidos sem pé nem cabeça. Encaro com serenidade e sigo o meu trabalho”.

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