O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região disse que a venda da Avibras para o grupo australiano Defendtex é um “enorme retrocesso para a soberania nacional”.
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Representante dos trabalhadores da empresa, a entidade é contrária ao negócio da venda de “uma empresa brasileira estratégica para o capital estrangeiro”.
Estratégica para o Brasil na área de defesa, mas em severa crise financeira, a Avibras está sendo vendida para a Defendtex. Os funcionários estão em greve há mais de um ano e não recebem salários.
A desnacionalização da fábrica teria sido aprovada pelo Governo Federal em um negócio cujos valores não foram divulgados. As dívidas da empresa seriam da ordem de R$ 640 milhões. A maior preocupação do governo seria o fechamento definitivo da empresa.
“Caso a transação se consuma, o novo grupo assumirá a Avibras diante de uma mobilização histórica em curso, com luta por empregos e direitos e greve contra o atraso nos salários”, disse o sindicato.
Fundada em 1961 por um grupo de engenheiros do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a Avibras é uma das pioneiras, no Brasil, em construção de aeronaves, programas de pesquisa espacial e desenvolvimento e fabricação de veículos especiais para fins civis e militares. Localizada em Jacareí, a empresa faz parte do principal centro de tecnologia aeroespacial do país.
A empresa participa do Programa Espacial Brasileiro, com fabricação de motores para foguetes. Além disso, com a injeção de dinheiro público, a Avibras desenvolveu capacidade de produção de armamentos e equipamentos bélicos, como mísseis, lançadores de foguetes, veículos blindados, bombas inteligentes, sistemas de comunicação por satélite e Vants (Veículos Aéreos Não Tripulados).
GOVERNO.
“Devido à crise enfrentada pelos trabalhadores da Avibras, que estão há 11 meses sem salário, o sindicato vem defendendo, ao longo desses anos, a estatização da empresa como única saída para manter em solo brasileiro os empregos e o conhecimento acumulado. Porém o que se viu foi a inércia do Governo Federal. Mas ainda há tempo para mudar essa situação. É urgente que o governo estatize a Avibras”, disse o sindicato.
“Enquanto diversos países investem pesadamente no setor de Defesa, o Brasil e a sua classe dirigente assistem e compactuam com a entrega de sua mais importante empresa do segmento a um grupo internacional.”
A entidade disse que, para os funcionários, a notícia da venda da empresa pode representar a esperança de receber os salários. Porém, segundo o sindicato, não há garantia de que os empregos serão preservados e não existe qualquer informação de que os salários serão pagos.
Desde 2022, a entidade sindical envia cartas pedindo intervenção do Governo Federal, que nada fez para resolver a situação. “De Jair Bolsonaro (PL) a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), não houve sequer um plano emergencial de auxílio aos trabalhadores”, afirmou.
O sindicato já se reuniu com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Apesar de promessas de avaliação do caso, nenhuma medida efetiva foi adotada em favor dos operários da Avibras.
Pelo contrário: o Governo Federal chegou a comprar equipamentos de Defesa de conglomerados estrangeiros, desprezando a produção e a geração de empregos nacionais.
“Vender a Avibras significa transferir 63 anos de produção de alta tecnologia para outro país. Os maiores beneficiados serão a empresa australiana e o atual presidente da Avibras, João Brasil, que detém 98% do controle acionário”, disse o sindicato.