Em discurso a apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste domingo (25), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou que tenha tentado dar um golpe no país e pediu um projeto para anistiar os presos do 8 de janeiro, além de pessoas investigadas por supostamente tentarem dar um golpe de Estado após as eleições de 2022 —incluindo ele próprio.
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Bolsonaro chegou ao evento às 14h40 junto ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que fez um discurso elogiando o ex-presidente.
Usando um colete a prova de balas por debaixo da camisa amarela da Seleção Brasileira, Bolsonaro falou em “pacificação” e em “passar uma borracha no passado”, e pediu o projeto de anistia para o Congresso.
“Teria muito a falar, tem gente que sabe que eu falaria. O que eu busco é a pacificação, é passar uma borracha no passado. É buscar maneira de vivermos em paz, não continuarmos sobressaltados. É, por parte do parlamento brasileiro, uma anistia para os pobres coitados que estão presos em Brasília. Não queremos mais que seus filhos sejam órfãos de pais vivos”, disse ele no evento, que reuniu milhares de pessoas – o número de participantes ainda não foi divulgado oficialmente.
Ele continuou e disse que o Brasil já anistiou, no passado, “quem fez barbaridade” e que os que estão presos pelo 8 de janeiro são “pobres coitados”.
“Quem depredou o patrimônio, que não concordamos, que pague, mas essa pena foge ao mínimo da razoabilidade. Não podemos entender o que levou poucas pessoas a agirem tão drasticamente”, afirmou Bolsonaro.
GOLPE.
O ex-presidente fez uma recapitulação sobre a sua vida e carreira política, elogiou o próprio governo e falou sobre a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, mas sem citar o petista. Ele ainda fez uma crítica indireta ao sistema eleitoral, um dos seus principais alvos.
“Considerar uma página virada na história [eleição de 2022]. Não tenho dúvida na transparência do que temos que ter quando elegemos um representante nosso.”
Bolsonaro negou que tenha tentado dar um golpe no país e disse que tudo o que fez estava baseado na Constituição. Ele negou que a chamada “minuta do golpe” encontrada pela Polícia Federal represente um plano antidemocrático.
“A última é que Bolsonaro queria dar um golpe. O que é golpe? É sangue na rua, é arma, é conspiração, é trazer classe política e empresarial para seu lado. Nada disso aconteceu. Agora o golpe porque tem minuta de estado de defesa. Golpe usando a Constituição? Tenha paciência. Estado de sítio começa com o presidente convocando os conselhos da República e da defesa. Isso não foi feito e o estado de sítio não foi convocado”, disse o ex-presidente.
RELIGIÃO.
Bolsonaro ainda disse que o “povo brasileiro não merece estar vivendo por esse momento" e que “poucos causam tão males a todos nós”.
Misturando política com religião, ele disse que o “mal não é eterno”, mesmo discurso que havia feito a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro minutos antes.
“Lá na caixa de ferramentas que é a Bíblia cristã está escrito que devemos fazer tudo o que está ao alcance e, quando não for mais possível, entreguemos nas mãos de Deus. Podemos ainda fazer muito pela nossa pátria. A liberdade é um bem maior, mas ao longo dos quatro anos de presidente aprendemos que esse bem não é eterno. Como um grande amor, todos os dias você tem que se preocupar com a sua liberdade”, afirmou Bolsonaro.
FUTURO.
No final do discurso, ele disse que a “fotografia” tirada no ato vai “rodar o mundo”. Lembrou as eleições de 2024 e disse que é preciso se preparar para 2026.
“O futuro a Deus pertence. Sabemos o que deve ser feito no futuro para que o Brasil tenha um presidente que tenha Deus no coração, que ame a sua bandeira, que se emocione com o hino, que respeite a família brasileira e que ame de verdade o seu povo. Não podemos concordar que um poder tire quem quer seja da eleição, a não ser por um motivo grave. As perseguições continuam”, disse.