AMOR DE MÃE

'Caí em prantos ao ouvir a voz do meu filho', relata mãe após receber notícia do jovem

Por Ana Lígia Dal Bello | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Facebook
O rapaz contou que procurou por conta própria uma clínica de reabilitação para dependentes químicos
O rapaz contou que procurou por conta própria uma clínica de reabilitação para dependentes químicos

"Caí em prantos ao ouvir a voz do meu filho. Foi um alívio na alma, um refrigério de saber que meu filho estava vivo". Esta foi a emoção sentida por uma mãe de São José dos Campos ao receber notícias de seu filho 12 dias após seu desaparecimento.

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Felipe Vitor Monteiro, de 22 anos, saiu de casa, sem avisar para onde iria, em 31 de janeiro. Houve relatos de que foi visto na bairro Putim, região sudeste da cidade. A partir daí, a família, que vive no Buquirinha 2, zona norte, divulgou nas redes sociais seu desaparecimento.

O TELEFONEMA
Segundo a mãe de Felipe, Lucimary Monteiro, de 55 anos, o rapaz contou que procurou por conta própria uma clínica de reabilitação para dependentes químicos e que está lá desde 2 de fevereiro, "porque queria andar com as próprias pernas, mudar de hábitos, porque não estava mais aceitando a vida que estava levando".

"O dono da clínica, muito abençoado, viu as mensagens e postagens de todos (sobre o sumiço), viu que era o meu filho, chamou ele e lhe disse que deveria dar notícias à família, à mãe dele. E então, me ligou no dia 13 de fevereiro, às 11h", contou dona Lucimary à OVALE.

-- Você é a mãe do Felipe?

-- Sim.

-- O Felipe,  seu filho, quer falar com você.

"Na hora, minhas pernas bambearam, sentada mesmo", narrou a mãe.

-- Bença, mãe, tudo bem?

"Cai em prantos de ouvir a voz do meu filho. Foi um alívio na alma, um refrigério de saber que meu filho estava vivo.

TROTES
Dona Lucimary contou que ouviu coisas horríveis enquanto desconhecia o paradeiro do filho. "Muitas pessoas passaram trote em mim, falando que o corpo do meu filho estava em certo lugar, extorquindo, usando nomes de facções, sendo que não tinha nada a ver. Sabe aquelas pessoas que não têm amor a nada e a ninguém? Que não respeitam a dor de uma mãe? Isso fez mais ainda o sofrimento de uma mãe aumentar", relatou.

"Numa hora dessa, toda mãe quer um conforto, palavras positivas, ou que ao menos fique quieto, não fale nada. Um rapaz comentou que era 'mais um nóia que desgraça a família'. Ele não sabe o que fala, não sabe por que aquele viciado está daquele jeito, se tem traumas do passado. Eu passei 12 dias que eu não queria passar, é uma coisa que não desejo para mãe nenhuma."

APOIO ÀS OUTRAS MÃES
Se, por um lado, recebeu o que as pessoas têm de mau, por outro, teve apoio de pessoas, principalmente de mães, que nem a conhecem. Às que vivem a aflição de ter um filho dependente químico e sem dar notícias, dona Lucimary deixa uma mensagem de apoio.

"As mães que estão passando pela mesma situação que passei, não percam a fé em Deus e nos anjos que o Senhor coloca aqui na Terra para nos ajudar".

"Somos iguais a formiguinhas se ajudando a buscar os nossos amados que estão perdidos de alguma forma. Tive muita ajuda da minha igreja em oração, meus amigos, pessoas que nem conheço se compadecem com a situação. Não desista, que um dia volta. Falei para Deus que trouxesse meu filho para mim do jeito que estava. Se estivesse vivo, para abraçar, e estivesse morto, que trouxesse o corpo para fazer um enterro digno", disse emocionada.

"Não perca a fé, porque, enquanto há fôlego de vida, há esperança  de mudanças. Agradeço  a todos que me ajudaram, sempre vou lembrar. Agora, quando vejo um anúncio de desaparecido, na mesma hora já passo para frente porque sei a dor de seus entes queridos", disse.

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