DRAMA

Suicídio cresce 68% desde 2017 e chega a 183 em 2023 no Vale do Paraíba

Psicóloga vê pandemia como uma das causadoras do aumento de depressão e ansiedade

Por Xandu Alves | 12/02/2024 | Tempo de leitura: 3 min
São José dos Campos

Reprodução

Em menos de 25 dias, dois casos de desaparecimento chocaram o Vale do Paraíba neste início de 2024, e ambos terminaram em tragédia.

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O cantor Ton Ferreira, 34 anos, de São José dos Campos, foi encontrado morto no dia 12 de janeiro, em um terreno baldio na região leste, após ficar desaparecido por cinco dias. Ele deixou a mulher e quatro filhos, todos pequenos. Segundo a esposa, ele passava por um quadro de depressão e tomava remédios.

No dia 3 de fevereiro, os bombeiros encontraram o corpo da professora Edna Guedes, 50 anos, desaparecida desde 29 de janeiro. Ela foi encontrada no rio Paraíba, na região de Moreira Cesar, distrito de Pindamonhangaba. Os bombeiros fizeram as buscas após receberem a informação de que uma mulher havia pulado no rio. De acordo com conhecidos da família, Edna também passava por um momento de depressão.

Os dois casos não foram isolados. Em 21 de janeiro de 2023, foi encontrado morto o estudante universitário Leonardo de Prado Moreno, 22 anos, em uma área de mata no Parque da Cidade, na zona norte de São José. Ele estava desaparecido desde 23 de dezembro de 2022 e enfrentava um quadro de depressão.

Os números mostram que os casos de suicídio aumentaram no Vale do Paraíba no ano passado, com 183 ocorrências consumadas e contabilizadas pela SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública).

Trata-se de um crescimento de 68% diante dos 109 casos de 2017, último ano de registro de dados de suicídio feito pela Fundação Seade. Além das 183 mortes no ano passado, o Vale ainda tem 83 registros de suicídios que foram tentados, mas não chegaram a ser consumados, o que revela o tamanho do desafio que as famílias e as autoridades em saúde têm que enfrentar.

De acordo com os dados da SSP, 66% das pessoas que cometeram suicídio na região no ano passado eram homens. A faixa etária entre 30 e 49 anos é a de maior incidência dos casos, com 42% das mortes. Pessoas brancas foram 72,6% dos óbitos, com 27,4% para pardas e pretas.

PANDEMIA.

Para a psicóloga Fabiana Luckemeyer, a pandemia de Covid-19 deixou “sequelas” emocionais que precisam de extrema atenção, especialmente entre pessoas jovens.

“A pandemia afetou muita coisa. A primeira emoção que gerou foi esse medo da morte, que vem muito à tona. As inseguranças em relação ao negócio, trabalho e sustentar a família. Medo em relação à produtividade, ganho e estilo de vida. Muita gente perdeu negócios e afetou muitas pessoas. Alguns efeitos colaterais são o alcoolismo, separação de casais, depressão, ansiedade”, afirmou a especialista.

Fabiana vê um grande impacto na saúde emocional os anos após a pandemia, com aumento de casos de depressão e ansiedade no país.

“Abalou a saúde mental porque você trabalha com o sentimento muito inerente que é o do medo, da raiva, e isso interfere em nosso estado físico e mental. A ansiedade, depressão e pânico aumentam”, disse a psicóloga.

“De perto, todo mundo tem as suas fragilidades, mas as pessoas querem ter uma vida perfeita, que não existe. A morte, o medo, a raiva, a vaidade fazem parte. Tem que trabalhar emocionalmente com isso. Creio que teremos pessoas melhor resolvidas no médio prazo entre aqueles que buscaram ajuda.

O CVV é referência nacional no combate ao suicídio, com apoio emocional e prevenção, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. O telefone é 188 e o site é o www.cvv.org.br.


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