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Adeus, Joyce: neta de Monteiro Lobato será velada nesta segunda-feira em São Paulo

Por Da redação | São Paulo
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Divulgação
Joyce Campos e a filha Cleo Monteiro Lobato
Joyce Campos e a filha Cleo Monteiro Lobato

O velório da neta de Monteiro Lobato, Joyce Campos, será realizado na segunda-feira (29), das 15 às 17h, no Monumental Grupo Bom Pastor, em São Paulo. A cerimônia de despedida será aberta ao público e depois Joyce será cremada.

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Joyce Campos faleceu na tarde de sexta-feira (26) aos 94 anos, em sua chácara que fica em Americana.  Em entrevista a OVALE, a filha Cleo Monteiro Lobato, que mora desde 1997 nos Estados Unidos, conta que não planejava vir ao Brasil por agora, mas por questões pessoais precisou adiantar a sua vinda. O que ela não esperava é que essa seria a oportunidade de se despedir de sua tão querida mãe.

“Era para eu vir para o Brasil apenas neste sábado para planejar o aniversário dela que será no dia 24 de fevereiro, mas vim uma semana antes porque tinha alguns problemas que eu precisava resolver. Parece que tudo foi orquestrado mesmo daquelas maneiras que só podemos imaginar que foi coisa do universo”, disse.

Joyce sofria de uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, a família acredita que essa condição pode ter contribuído para sua partida, mas a idade também.

“Ela já estava 100% dependente do uso de oxigênio. Não dava mais nem para almoçar sem o oxigênio, mas ela estava bem. Acreditamos que tenha sido por causa da idade mesmo”, contou, acrescentando que a mãe faleceu durante um momento de descanso e nos braços de sua cuidadora preferida que ela chamava carinhosamente de ‘vó’.

“Logo de manhã eu fui até a casa da vizinha e a convidei para o aniversário de mamãe, quando eu voltei fui até o meu escritório e esperei ela se levantar do descanso, então ouvi a cuidadora chamar a cozinheira de um jeito diferente, com a voz diferente. Quando cheguei no quarto a cuidadora estava segurando mamãe sentada, ela estava até um pouco roxinha, medimos os sinais vitais e já não tinha mais”, contou a filha.

CERIMÔNIA 

Cleo pede para que aqueles que quiserem enviar algum presente para Joyce durante a cerimônia de despedida, não enviem coroa de flores. “A mamãe não gostava dessas coroas, por isso, estamos pedindo que as pessoas que quiserem enviem orquídeas, que sempre foram a preferência da mamãe, ou ao invés de flores enviem doações para a família de Gabriel Sacheto”, disse.

Gabriel Sacheto sofre da Síndrome de West e é filho de Erika Sacheto, artesã que faz personagens do Sítio do Picapau Amarelo em amigurumi. Mais informações sobre Gabriel podem ser encontradas através do instagram: @redescobrindo_o_amor

NETA PRECIOSA DE LOBATO 

Joyce nasceu em Nova York em 1930 quando o avô trabalhava como adido comercial nos EUA. Os pais Martha Lobato Campos e Jurandir Ubirajara Campos, este ilustrador do The New York Times, não queria sair dos Estados Unidos. Mas, por conta da Revolução de 32, resolveram voltar. Joyce tinha dez meses.

No Brasil, Joyce pode conviver com o avô escritor e contador de histórias, que ela tinha o privilégio de escutar e se deleitar, além de inspirar Lobato. O escritor era chamado de Juca pela menina e familiares.

A história de ambos é contada no livro “Juca e Joyce - Memórias da neta de Monteiro Lobato” (2007), da escritora, jornalista e historiadora Márcia Camargos.

“A menina travessa e curiosa foi ouvinte das histórias que ele ia criando. Suas ideias mirabolantes e palpites engraçados eram muitas vezes incorporados aos textos do avô carinhosamente chamado de Juca”, diz o texto sobre a obra.

DETALHES DE LOBATO

O livro revela aspectos desconhecidos de Lobato, como seus pratos prediletos, as leituras de cabeceira, os filmes, os artistas e os programas de rádio que mais apreciava.

A área de Museus de Taubaté informa que Joyce foi uma grande divulgadora da obra de Lobato e uma grande responsável por manter viva a memória do escritor, trabalho herdado pela filha de Joyce e bisneta do taubateano, Cleo Lobato.

Em entrevista ao jornal da Unicamp, em 2000, Joyce falou sobre o relacionamento com o avô famoso. Segundo ela, ser neta de Lobato é “uma das profissões mais difíceis do mundo”.

Ela contou que a relação com o avô não se deu como a maioria das pessoas imagina. Além de viajar muito, como durante a campanha do petróleo, Lobato não era do tipo afetuoso. “Nunca me pôs no colo”, disse Joyce.

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