ELEIÇÕES 2024

Mudanças em aplicativo podem facilitar propagação de fake news nas eleições

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução

O avesso da política.

Esqueça o embate eleitoral. As fake news serão o principal adversário da democracia nas eleições municipais de 2024, como já o foram nos dois últimos pleitos e seguem desafiando as autoridades brasileiras.

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O risco de proliferação de notícias falsas cresceu com a divulgação de novas funcionalidades no Whatsapp, um dos aplicativos de comunicação mais usado no mundo. São cerca de 147 milhões de usuários no Brasil, país com 156 milhões de eleitores.

A empresa anunciou recursos que permitem envio unidirecional a um número ilimitado de usuários no app. Os donos dos canais podem escolher até 16 administradores e têm acessos a novos itens que envolvem mensagens de voz, enquetes e o compartilhamento de cards no status — similar aos stories do Instagram.

Os canais com número ilimitado de membros foram lançados no Brasil em setembro do ano passado. O lançamento da ferramenta foi adiado para não interferir na eleição de 2022, mas pode causar estragos neste ano.

BARREIRAS

O motivo é que não estão claros, segundo especialistas, os mecanismos do app para conter a disseminação de fake news, incluindo mensagens de manipulação de voz e vídeo, como deepfakes – técnica de combinar a fala de uma pessoa com um vídeo já existente.

Corre-se o risco, por exemplo, da propagação de vídeos de candidatos com mensagens falsas. O perigo maior é o pouco filtro nos aplicativos para barrar esse tipo de conteúdo fraudulento, que pode causar estragos à democracia.

“Nessa nova possibilidade do Whatsapp, você consegue enviar mensagens para um número indeterminado de pessoas. Ou seja, pode haver divulgação de fake news para várias pessoas. Isso pode se alastrar numa velocidade muito maior, principalmente em ano eleitoral”, disse o advogado Guilherme Cremonesi, especialista em Direito Penal Econômico pela FGV (Fundação de Getúlio Vargas) de São Paulo.

O dilema é que o Whatsapp virou uma fonte de informação ao invés de ser um aplicativo de troca de mensagens. Para muitas pessoas, o app é a principal fonte de informação, muitas vezes a única.

“Esse é o grande problema. A gente não tem como assegurar que as informações que circulam sejam verdadeiras. E gente vincula muitas às eleições, mas quando a gente fala de questões médicas e nutricionais. Há muita desinformação. A gente vê muita gente se posicionando sem a formação adequada para isso, o que gera um risco para as pessoas que acabam sendo mais influenciadas.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Cremonesi ainda se preocupa com as possibilidades criadas pela Inteligência Artificial, que pode ser utilizada para modificar áudios e vídeos e passar mensagens falsas aos usuários do aplicativo.

Para o advogado, a postura do eleitor deve ser sempre de procurar a fonte da informação veiculada. Fazer uma pesquisa em sites da imprensa profissional para checar se há correspondência daquela notícia.

“Duvide sempre de notícias com carimbo de secreto, de que ‘ninguém quer que você saiba’, 1isso o jornal tal não mostra’. Esse tipo de manchete é característica de fake news. O usuário precisa ter seu próprio filtro antes de passar para frente o que recebe”.

OUTRO LADO

Empresa proprietária do Whatsapp, a Meta informou que as mudanças no aplicativo dão a ele “ferramenta para fornecer às pessoas informações atualizadas e precisas sobre potenciais notícias falsas que circulam online”.

Disse que os usuários têm escolha e controle sobre que canais seguir e que os encoraja a verificarem fatos em fontes confiáveis. Afirmou que os canais contam com ferramenta que limita o encaminhamento de atualizações.

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