Em outubro de 2022, na eleição presidencial mais acirrada da história do Brasil, Lula derrotou Jair Bolsonaro com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% do adversário.
Com uma diferença de pouco mais de 2,1 milhões de votos, o petista garantiu o retorno ao Palácio do Planalto, para seu terceiro mandato no posto mais importante do país. Já Bolsonaro se tornou o primeiro presidente brasileiro a não conseguir ser reeleito.
Após quase um ano do novo mandato de Lula, pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana mostra que o percentual de aprovação do petista entre o eleitorado do país é de 54%, enquanto 43% desaprovam o trabalho do presidente.
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. O percentual de aprovação é ligeiramente superior ao índice de votos de Lula no segundo turno de 2022, enquanto o de desaprovação é um pouco inferior. E o que isso mostra? Que após o primeiro ano de Lula e às vésperas de um ano de eleições municipais, ainda vivemos em um país dividido.
Um eleitorado dividido, por si só, não é algo ruim. Pelo contrário. A oposição de ideias é fundamental para que uma democracia seja sólida e para que todas as vozes distintas sejam ouvidas da forma como merecem. O problema é quando essa divergência opõe extremos ideológicos, a chamada polarização. E por que isso é ruim? Porque os debates se tornam inúteis. Não se discute verdadeiramente nada. Nenhuma ideia, nenhum projeto. Vira um bangue-bangue entre dois lados que apenas destilam ódio contra os oponentes.
A polarização persiste porque é benéfica para os dois grupos. A aversão a um dos lados atrai mais eleitores para o outro lado. E vice-versa. Por isso, ninguém demonstra interesse na pacificação do cenário político. Nesse contexto, teremos eleição daqui a menos de 10 meses. Eleitores dos 5.565 municípios brasileiros irão às urnas para escolher prefeitos e vereadores para o período de 2025 a 2028.
Em um mundo ideal, as campanhas deveriam ser propositivas, discutindo a fundo os problemas de cada cidade. Mas, infelizmente, o mais provável é que temas não relacionados às gestões municipais, como as pautas de costume, dominem os debates. É triste. Com isso, nós perdemos, e eles ganham.