Em uma série de vídeos e fotos publicadas nas redes sociais, a pedagoga Ana Flavia Lima, de São José dos Campos, denunciou as agressões realizadas pelo marido, com quem estava há cinco anos. Com problemas financeiros e morando em Jaboticabal, Ana Flavia pede ajuda para voltar com a filha para São José e recomeçar a vida.
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Um casal de novela, com fotos em passeios, mensagens de carinho e declarações de amor, mas que infelizmente não passavam das redes sociais. Vítima de violência doméstica há três anos, Ana Flávia conta que em 2020, o marido começou a fazer apostas em jogos e desde então se transformou em outra pessoa.
“Todas essas violências tiveram início depois que ele começou a jogar poker. No começo, era só uma brincadeira na casa de amigos, depois ele começou a frequentar casas de jogos e por fim, a jogar on-line. Foi então que as coisas começaram a sair do controle”, disse.
Em fevereiro do ano passado, Ana Flavia chegou a registrar um boletim de violência doméstica contra o marido, mas com o casamento marcado para abril e as promessas de que não passaria daquela vez, ela decidiu dar uma oportunidade.
“Ele quebrou a casa inteira, além de me agredir, chegou a dar um puxão na perda da minha filha de sete anos. Fui até a delegacia, registrei o boletim, mas depois fomos conversando e ele se desculpou, disse que as coisas iriam mudar e eu acreditei”, comentou.
Foto tirada no dia da agressão - Foto: divulgação
As agressões continuaram e o vício no poker também. Em agosto, a família se mudou para Jaboticabal e Ana Flavia recebeu a notícia de que teve todos os seus bens bloqueados.
“Não tínhamos tanto acesso a conta financeira um do outro, então eu não tinha noção da quantidade de dinheiro que estava entrando e saindo. Até que uma semana depois que nos mudamos, o juiz entrou com uma liminar e fez um bloqueio judicial limpando todas as contas. Perdemos tudo por causa das dívidas que ele fez, inclusive R$ 270 mil da casa que vendemos em São José”, relatou.
Com problemas financeiros e as agressões constantes, Ana Flávia chegou a usar maquiagem e até uma máscara para esconder os hematomas quando ia trabalhar.
“Chegava o final de semana, ele bebia, perdia o dinheiro com o poker e ficava cada vez mais agressivo. Me deixava muito marcada, realmente desfigurada. Quando ia trabalhar tentava esconder os roxos e já cheguei inclusive a usar uma máscara e falar para as pessoas que tinha feito uma cirurgia no dente. Só que chegou uma hora que a maquiagem não estava adiantando mais e quando as pessoas perguntavam, eu arrumava uma desculpa falando que foi o cachorro, que caí da escada, qualquer coisa para tentar esconder o que estava passando”, lembrou.
Ana Flavia chegou a usar maquiagem para tentar esconder agressões - Foto: divulgação
‘MAMÃE VOCÊ CONSEGUE’
Em meio a todos esses problemas e longe da família, Ana Flavia teve um grande apoio que foi fundamental para decisão de se separar. A filha Manuela, de sete anos, que é fruto de outro relacionamento. “Na quinta-feira (23), ele chegou em casa brigando, me empurrou e foi quando eu decidi que não dava mais para continuar e postei os stories pedindo socorro, como se falasse ‘pelo amor de Deus alguém olha para mim e me ajuda’. Durante todo esse momento a minha filha foi fundamental na minha vida. Quando disse que tomei a decisão de voltar para São José e de me separar, ela falou: ‘Graças a Deus mamãe, papai do céu ouviu as minhas orações”, relatou Ana.
Apesar da pouca idade, Manuela, que chegou a presenciar as agressões, foi a amiga e irmã que Ana Flavia precisava naquele momento de tanta dor. “Ela o tempo inteiro pedia a separação, dizia que não aguentava mais aquilo, que o ‘tio’ não iria mudar, que era para gente ir embora com a vovó e me deu muita força. Se não fosse ela, eu não estaria aqui. Lembro que falava ‘mamãe você pode, você é guerreira e consegue sair disso’”, contou.
RECOMEÇO
Mesmo abalada psicologicamente, Ana Flavia sonha em recomeçar e seguir em frente. Para conseguir voltar para São José dos Campos e se restabelecer, ela está pedindo ajuda com doações pelo pix: anaflavialima0312@gmail.com.
“Se souberem de alguma oportunidade de emprego ou qualquer coisa, me avisem! Preciso recomeçar e só será possível trabalhando. Infelizmente minha família não conseguiu levantar todo dinheiro que preciso para mudança, apenas o caminhão ficará em torno de R$ 4 mil. Quem puder ajudar com qualquer quantia, será muito bem-vindo, estou morrendo de vergonha de pedir, mas não estou vendo outra saída”, disse.
‘VOCÊ TAMBÉM CONSEGUE’
Após a denúncia realizada por Ana Flavia nas redes sociais, a pedagoga contou que recebeu centenas de mensagens de mulheres que passam ou passaram pela mesma situação.
“Não se calem, não permita um grito que seja, não deixe que homem nenhum diga que você merece isso, que você quer isso, uma agressão não justifica a outra e nada justifica uma agressão. Você merece muito mais, você consegue, precisamos ficar unidas!”, afirmou uma delas.
MILHARES DE VÍTIMAS
Assim como Ana Flavia e a apresentadora Ana Hickmann, vítimas de ameaça e agressão, a cada dois minutos uma mulher sofre violência no estado de São Paulo. De janeiro a setembro de 2023, foram 186 mil registros de violência contra a mulher, desde feminicídios a maus tratos, passando por estupros, tentativa de homicídio e lesão corporal. O número é 31,20% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado – 128 mil ocorrências contra a mulher.
Se você é ou conhece alguma vítima, denuncie entrando em contato pelo telefone: 190 ou procurando a delegacia mais próxima.