O domínio é feminino.
As mulheres são maioria na população do Vale do Paraíba, da RM Campinas e do país, vivem mais tempo por se cuidarem mais do que os homens e se consolidam como a força capaz de mudar os rumos de uma eleição, por exemplo.
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Tamanha hegemonia é confirmada pelos novos números do Censo 2022 divulgados pelo IBGE no final de outubro.
As mulheres são 1,28 milhão no Vale e representam 51,39% da população regional de 2,50 milhões de habitantes, segundo o Censo 2022. Os homens são 1,21 milhão e abocanham fatia de 48,91% dos moradores.
Os percentuais eram invertidos em 1980, com 51% de homens e 49% de mulheres na região, mas se inverteram 40 anos depois em razão da taxa de crescimento das mulheres, que é maior do que a dos homens, o que explica a hegemonia feminina.
Enquanto a população masculina aumentou 101% no Vale entre 1980 (613,1 mil) e 2021 (1,2 milhão), as mulheres cresceram 112% no mesmo período, de 602,4 mil para 1,2 milhão.
Elas passaram de minoria para maioria no Vale, cuja população cresceu 106% na mesma comparação, de 1,21 milhão em 1980 para 2,5 milhões em 2021, segundo dados da Fundação Seade.
Talvez o domínio numérico seja um prêmio da natureza para o maior cuidado que as mulheres têm com a saúde. Pesquisa de 2019 feita pelo PNS (Programa Nacional de Saúde) mostrou que a proporção de mulheres que buscaram um médico (83%) foi maior que a homens (69%).
“O homem tem mais chances de morrer prematuramente em praticamente todos os países do mundo. Eles não sabem que ao se negligenciarem estão contribuindo para a maior mortalidade de praticamente todas as causas do sexo masculino em relação ao feminino”, disse o urologista Daniel Xavier Lima, professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em artigo publicado no site da instituição.
Os números do IBGE comprovam a pesquisa sobre os cuidados femininos.
Na RMVale, o percentual de mulheres na população acima de 80 anos é bem maior do que a dos homens, com 62% a 38%. Na faixa de 60 a 80 anos, a balança se equilibra um pouco, mais ainda pende para o lado feminino: elas são 54% e eles, 46%.
No entanto, os homens são maioria entre as pessoas de 0 a 19 anos na região, com 51% ante 49% das mulheres.
Como a mortalidade de homens jovens é maior do que a de mulheres jovens, especialmente a morte por causas externas, o público feminino ultrapassa o masculino e elas são 51% na faixa etária de 20 a 59 anos, contra 49% dos homens.
A longevidade feminina faz com que elas sejam maioria entre os mais velhos do Vale, com 201 mulheres entre as 257 pessoas com mais de 100 anos na região. Os homens são 56 nessa faixa.
CAMPINAS
O contingente populacional na RM Campinas aumentou 363% desde 1970, segundo os dados do Censo 2022. A população passou de 685,8 mil para 3,17 milhões. E foi o público feminino quem mais cresceu: 150% contra 137% entre os homens. As mulheres são 51,54% da população da região.
Na cidade de Campinas, a população passou de 375,8 mil em 1970 para 1,13 milhão em 2022, um salto de 203%.
Assim como na RMVale, as mulheres estão vivendo mais na RM Campinas. Elas são 49% da faixa de 0 a 19 anos e chegam a 62% entre os acima de 80 anos.
Os homens saem de 51% entre os mais novos para 38% na população idosa. Na população centenária, das 326 pessoas com mais de 100 anos na região 241 são mulheres (74%) e 85 são homens (26%).