MENSAGEM

Depois de ataques em 2022, festa de Aparecida prega 'amor contra o ódio'

Por Xandu Alves | Aparecida
| Tempo de leitura: 3 min
Créditos: Caíque Toledo/OVALE

A festa de Nossa Senhora Aparecida de 2023 prega o "amor contra o ódio" em meio à guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas, mas também em contraste aos confrontos políticos que ocorreram na festa do ano passado.

Neste ano, o clima é de paz e confraternização, bem diferente do ambiente polarizado da festa de 2022, realizada entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial. Na ocasião, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro criticaram padres do Santuário Nacional e agrediram repórteres e cinegrafistas na praça em frente à Basílica Velha.

"Maria traz uma mensagem de paz. Não é momento de política, mas de confraternização e agradecimento", disse o padre Camilo Júnior, da equipe da Basílica. Foi ele quem, no ano passado, disse que "não era dia de pedir votos, mas de pedir bênçãos" diante do avanço e das críticas dia bolsonaristas.

Sem a polarização política, a homilia do arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, na missa solene da festa, às 9h, foi baseada no tema da vocação e da santidade. Ele começou a celebração pedindo "paz na terra de Jesus, na terra de Nossa Senhora".

O arcebispo saudou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito de Aparecida, Luiz Carlos de Siqueira, o Periquito.

No sermão, dom Orlando lembrou os milhares de romeiros que vêm para Aparecida no dia 12 de outubro: "A Dutra e outras estradas se tornaram uma catequese da fé do povo que vem para Aparecida, eles chegam cansados, mas com a alma lavada pela fé".

Em meio ao conflito sangrento que opõe judeus e árabes em Israel, dom Orlando disse que a vocação chega a todas as pessoas, mesmo fora da Igreja. "Vocação para todas as pessoas, até fora da Igreja. O Espírito Santo age em todas as religiões, há santidade em todo mundo."

Dom Orlando também defendeu a sensibilidade diante das mazelas humanas e contra a vaidade e o egoísmo. "Nossa Senhora é presença de sensibilidade. Quem não é sensível não vê nada a não ser a si mesmo. Ela tem a sensibilidade pelo povo. O mundo vai ser melhor com sensibilidade."

Durante a homilia, o arcebispo ainda cobrou a solução para os problemas reais que assolam o povo. "Precisamos buscar a solução dos problemas. As soluções existem e Nossa Senhora vai nos ajudar a encontrar as soluções para os problemas mundiais."

Em outro trecho, dom Orlando falou que Maria "amou ao povo e ao irmão" e disse que o povo brasileiro tem que buscar a vocação da "justiça e paz". "Famintos serão saciados, é da justiça que vem a paz. Se houvesse justiça diminuiria a desigualdade social, violência. A justiça que vai vencer todos esses males", disse o arcebispo.

No final do sermão, don Orlando afirmou que o "povo tem empatia, concórdia, amizade", ou seja, tem "vocação para a paz" contra a violência. "Vamos continuar acreditando na fraternidade e no amor fraterno."

Dom Orlando também lembrou a vida ecológica e o meio ambiente e pediu ao povo "plante árvores" e que para com a "depredação à mãe terra". Por fim, o arcebispo deixou clara a posição da Igreja Católica contra o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o aborto. Disse o religioso: "Sim à vida e não ao aborto". Ele foi aplaudido pelo público que lotou o altar central da Basílica.

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