O pequeno grande milagre.
Com a ajuda de talentosas mãos do Vale do Paraíba, o feto de uma gestante palestina de 32 anos foi operado dentro do útero da mãe em um hospital em Israel, em contraste ao conflito bélico que coloca os dois povos em guerra.
O caso ocorreu em janeiro de 2017, quando uma equipe brasileira operou a mulher palestina em Jerusalém ao lado de médicos de Israel e da Palestina, todos imbuídos de dar um futuro melhor para o bebê. A cirurgia foi realizada no hospital Hadassah.
A técnica cirúrgica foi desenvolvida pelos médicos Denise Lapa, Rodrigo Russo e Gregório Lorenzo Acácio, este professor da Unitau (Universidade de Taubaté) e membro do grupo de cirurgia fetal do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Trata-se de uma técnica menos invasiva que permite operar fetos com meningomielocele, malformação congênita da coluna vertebral que pode causar problemas graves de locomoção e no cérebro.
RECUPERAÇÃO
Com a cirurgia feita dentro do útero da mãe, 57% das crianças operadas conseguem andar contra 20% quando a operação é feita após o nascimento. A necessidade de colocar válvula no cérebro por conta da hidrocefalia também cai de 80% para 43%.
A equipe cirúrgica brasileira já operou mais de 190 casos em diversas partes do mundo, como nos Estados Unidos, Itália, Hong Kong, Chile e Uruguai, país que já incluiu a operação na rede pública, ao contrário do Brasil.
A cirurgia usa os princípios da fetoscopia e é feita por meio de furos na barriga da mãe, pelos quais passam uma câmera e instrumentos cirúrgicos. O feto é operado por imagem, como uma laparoscopia – exame do abdômen.
Logo que a técnica começou a ser apresentada em congressos médicos, profissionais de Israel se interessaram pela cirurgia e vieram conhecê-la no Brasil. A ideia era levá-la para Jerusalém. Para tanto, os médicos brasileiros esperaram um ano até que a autorização para operar em Israel fosse concedida, após os trâmites obrigatórios.
Então, apareceu o caso de uma mulher judia que seria operada pelos israelenses sob a supervisão dos brasileiros, que viajaram para Jerusalém.
PALESTINA
Acontece que um médico palestino, que fizera estágio na Inglaterra com outro médico de Israel, soube da técnica e apresentou o caso de uma mulher palestina grávida de uma menina.
“Esses dois médicos não tinham nenhum tipo de dificuldade de relacionamento, apesar de terem religiões diferentes”, contou Acácio.
A mulher recebeu a autorização para ser operada em Jerusalém. Mas como o caso era bem mais complexo do que os demais, os brasileiros assumiram a cirurgia.
“Então, os brasileiros operaram uma paciente palestina dentro de um hospital judeu em Jerusalém. Demonstra um espírito de cooperação internacional e tolerância religiosa”, disse Acácio. “Independente de qualquer crença religiosa, a gente pode dizer que o que aconteceu naquele momento foi uma coisa muito especial.”
'GRANDE MILAGRE'
O médico de Taubaté lembrou que há um pião judaico (dreidel), de quatro lados, que traz uma inscrição em hebraico: “Aqui aconteceu um grande milagre”, que é uma referência ao nascimento de Jesus Cristo.
Para Acácio, a experiência em Jerusalém mostrou a ele que as dificuldades de convivência ocorrem mais no nível da “cúpula do poder” do que propriamente entre a população.
“Ninguém quer nenhum tipo de conflito armado, ninguém quer morte. Além de a gente ter observado um relacionamento absolutamente cordial, sem nenhum tipo de tensão entre os diferentes povos. É colaborativo. As questões estão muito mais num nível político de cúpula do que propriamente no relacionamento da população”, afirmou.
“Para a gente foi um grande exemplo, porque a gente conseguiu fazer e foi significativo do ponto de vista de relação, de realização profissional. Porque era uma equipe brasileira dentro de uma cidade que é considerada religiosa para as duas etnias, aos palestinos e aos judeus. Operou-se dentro de um hospital judeu uma paciente palestina e tudo isso com a colaboração do ponto de vista da assistência à saúde. É o que a gente espera que aconteça no mundo todo.”
Segundo Acácio, até o último contato que a equipe esteve com a mãe palestina, a menina nasceu bem e consegue andar, com uma evolução considerada muito boa.
É o pequeno milagre entre Israel e Palestina, terra dos grandes milagres. Que a bebê palestina nascida com saúde após a união entre judeus e árabes inspire a todos.
Comentários
1 Comentários
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ROBERTO LUIZ VILAS BOAS 11/10/2023PARABENS A TODA EQUIPE!!!!!!!!!!!!