EDITORIAL

Cinturão sai do papel?

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A primeira região do interior paulista a ultrapassar a marca de 200 assassinatos nesse ano, que é o primeiro do governo Tarcísio de Freitas. A região que concentra 7 das 16 cidades mais violentas de São Paulo.

Mesmo que fosse momentânea, essa situação já seria inadmissível. Mas o cenário é ainda pior, já que desde 2010 a RMVale é a região mais violenta do estado.

Ao longo desses anos, todos os governantes que passaram pelo Palácio dos Bandeirantes prometeram priorizar o combate à violência aqui na região. E fracassaram.

Como o problema se espalha por todo o Vale do Paraíba, a necessidade sempre foi por uma solução regional. O ex-governador João Doria apostava na implantação de um cinturão eletrônico de câmeras, que chegou a ser prometido para janeiro de 2021. Mas o tucano não conseguiu tirar o projeto do papel.

Agora, o governo Tarcísio promete fazer diferente. Já abriu a licitação para a instalação de 109 câmeras em cidades do Vale Histórico e do Vale da Fé, sub-região que abriga as cidades mais violentas do estado (Cruzeiro, Lorena e Guaratinguetá - respectivamente, a primeira, a segunda e a quarta com mais altos índices de criminalidade).

OVALE espera que, após tanta apatia do poder público, a muralha paulista - como foi batizado o projeto que terá a região como pioneira - saia do papel o quanto antes. Não dá mais para esperar. Nos últimos 12 meses, a região somou 327 mortes. A segunda mais violenta, a de Ribeirão Preto, teve 253 assassinatos no período.

E, embora o número de homicídios em 2023 na região já tenha apresentado uma queda de 15,8% no comparativo com o ano passado, é evidente que o cinturão eletrônico não será suficiente para combater a criminalidade que vitima a RMVale. Depois disso, ainda será preciso avançar muito mais.

A lista de necessidades é enorme. É urgente reforçar os quadros das polícias Militar e Civil, que sofrem com déficit de milhares de agentes. É preciso investir na inteligência, em investigações, em ações coordenadas.

Em uma guerra em que o poder público ficou inerte por tanto tempo, o primeiro passo até pode ser comemorado. Mas sem perder a compreensão de que a caminhada é bastante longa.

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