Em reunião na subsede do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) em Taubaté, representantes das quatro unidades de urgência e emergência da rede municipal - o PSM (Pronto Socorro Municipal), as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) San Marino e Santa Helena e o PA (Pronto Atendimento) do Cecap - e do HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté) manifestaram preocupação com uma possível falta de médicos para atuar nesses locais, devido ao atraso nos repasses por parte da Prefeitura.
A reunião foi realizada na última sexta-feira (25) e, segundo a ata do encontro, obtida com exclusidade pela reportagem de OVALE, contou com a participação de Daniel Kishi (coordenador do Departamento de Fiscalização do Cremesp), Fabiana Mara Scarpelli (diretora técnica do HMUT), Flavio Romeu Lopes (diretor clínico da UPA Santa Helena e diretor técnico do PA do Cecap), Rafael de Assis Vieira Viveiros (diretor técnico do PSM) e Kauê de Moura Germano Cabral (diretor da UPA San Marino).
Ainda de acordo com a ata, que foi assinada por todos os presentes, "frente aos inúmeros desligamentos de médicos da escala" haverá "falta de médicos nas unidades". A ata cita ainda a "proposta" de "convocação dos médicos concursados" da Prefeitura para "suprimento das escalas emergencialmente" e que foi sugerido "solicitar à Prefeitura garantia de pagamento à vista do serviço médico".
CONSELHO.
Procurado pela reportagem nessa quarta-feira (30), o Cremesp informou que solicitou à Prefeitura "um plano de contingência frente ao provável número insuficiente de médicos na escala, em especial para atendimento da pediatria".
O conselho ressaltou ainda que "os casos de urgência, ficha amarela e vermelha, continuarão a ser atendidos".
O Cremesp informou também que "lamenta tal situação e espera que a Prefeitura, rapidamente, complete o quadro de profissionais de saúde e dê aos médicos condições adequadas para o exercício da profissão". "A população e os profissionais envolvidos diretamente no atendimento não podem ser prejudicados por problemas administrativos", concluiu o conselho.
UNIDADES.
A SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), que administra o HMUT, informou à reportagem que a dívida da Prefeitura com a entidade é de cerca de R$ 22 milhões. A SPDM afirmou que não tem balanço de quantos médicos deixaram de prestar serviço para o hospital desde o início dos atrasos nos repasses e que, até o momento, a Prefeitura não apresentou alternativas que permitam que a entidade resolva esse problema. O HMUT já opera de forma parcial desde o dia 11 de julho, priorizando casos de urgência e emergência.
A Santa Casa de Chavantes, que faz a gestão das UPAs San Marino e Santa Helena, alegou que não teve "abandono dos médicos nas unidades, nem pedidos de demissões" ou "informação oficial de paralisação", mas que está "acompanhando os protocolos de atendimentos" e que percebeu "a ampliação do tempo de espera". Apesar da assinatura dos diretores das unidades na ata do Cremesp, a entidade afirmou que não formalizou "risco de falta de atendimento" ao Cremesp e "não foi solicitado o acionamento de médicos concursados", e que espera "contar com o compromisso e compreensão dos médicos". A Santa Casa, que deveria receber R$ 3,9 milhões por mês para gerir as duas UPAs, não informou quanto a Prefeitura deixou de repassar, mas admitiu que os médicos que atuam nas unidades ainda não receberam o pagamento do dia 20 de agosto e que espera que o município regularize a situação em 30 dias.
O Instituto Esperança, que administra o PSM e o PA do Cecap, não se manifestou. Por mês, o instituto deveria receber R$ 4,5 milhões para gerenciar as duas unidades. No início de agosto, devido aos salários atrasados, médicos do PA do Cecap estenderam uma faixa em frente à unidade que dizia que somente "pacientes com risco de morte" seriam atendidos.
PREFEITURA.
Procurada nessa quarta-feira, a Prefeitura não informou se tem ciência do risco da falta de médicos para atender nessas unidades e se estuda alguma medida para adotar nesse caso. A administração municipal também não informou qual é o valor devido para a SPDM, para o Instituto Esperança e para a Santa Casa de Chavantes.