CRISE NA SAÚDE

Ao Cremesp, entidades expõem risco de falta de médicos para atuar em unidades de Taubaté

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Caique Toledo/OVALE
Prefeitura de Taubaté tem atrasado repasses para terceirizadas da saúde
Prefeitura de Taubaté tem atrasado repasses para terceirizadas da saúde

Em reunião na subsede do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) em Taubaté, representantes das quatro unidades de urgência e emergência da rede municipal - o PSM (Pronto Socorro Municipal), as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) San Marino e Santa Helena e o PA (Pronto Atendimento) do Cecap - e do HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté) manifestaram preocupação com uma possível falta de médicos para atuar nesses locais, devido ao atraso nos repasses por parte da Prefeitura.

A reunião foi realizada na última sexta-feira (25) e, segundo a ata do encontro, obtida com exclusidade pela reportagem de OVALE, contou com a participação de Daniel Kishi (coordenador do Departamento de Fiscalização do Cremesp), Fabiana Mara Scarpelli (diretora técnica do HMUT), Flavio Romeu Lopes (diretor clínico da UPA Santa Helena e diretor técnico do PA do Cecap), Rafael de Assis Vieira Viveiros (diretor técnico do PSM) e Kauê de Moura Germano Cabral (diretor da UPA San Marino).

Ainda de acordo com a ata, que foi assinada por todos os presentes, "frente aos inúmeros desligamentos de médicos da escala" haverá "falta de médicos nas unidades". A ata cita ainda a "proposta" de "convocação dos médicos concursados" da Prefeitura para "suprimento das escalas emergencialmente" e que foi sugerido "solicitar à Prefeitura garantia de pagamento à vista do serviço médico".

CONSELHO.
Procurado pela reportagem nessa quarta-feira (30), o Cremesp informou que solicitou à Prefeitura "um plano de contingência frente ao provável número insuficiente de médicos na escala, em especial para atendimento da pediatria".

O conselho ressaltou ainda que "os casos de urgência, ficha amarela e vermelha, continuarão a ser atendidos".

O Cremesp informou também que "lamenta tal situação e espera que a Prefeitura, rapidamente, complete o quadro de profissionais de saúde e dê aos médicos condições adequadas para o exercício da profissão". "A população e os profissionais envolvidos diretamente no atendimento não podem ser prejudicados por problemas administrativos", concluiu o conselho.

UNIDADES.
A SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), que administra o HMUT, informou à reportagem que a dívida da Prefeitura com a entidade é de cerca de R$ 22 milhões. A SPDM afirmou que não tem balanço de quantos médicos deixaram de prestar serviço para o hospital desde o início dos atrasos nos repasses e que, até o momento, a Prefeitura não apresentou alternativas que permitam que a entidade resolva esse problema. O HMUT já opera de forma parcial desde o dia 11 de julho, priorizando casos de urgência e emergência.

A Santa Casa de Chavantes, que faz a gestão das UPAs San Marino e Santa Helena, alegou que não teve "abandono dos médicos nas unidades, nem pedidos de demissões" ou "informação oficial de paralisação", mas que está "acompanhando os protocolos de atendimentos" e que percebeu "a ampliação do tempo de espera". Apesar da assinatura dos diretores das unidades na ata do Cremesp, a entidade afirmou que não formalizou "risco de falta de atendimento" ao Cremesp e "não foi solicitado o acionamento de médicos concursados", e que espera "contar com o compromisso e compreensão dos médicos". A Santa Casa, que deveria receber R$ 3,9 milhões por mês para gerir as duas UPAs, não informou quanto a Prefeitura deixou de repassar, mas admitiu que os médicos que atuam nas unidades ainda não receberam o pagamento do dia 20 de agosto e que espera que o município regularize a situação em 30 dias.

O Instituto Esperança, que administra o PSM e o PA do Cecap, não se manifestou. Por mês, o instituto deveria receber R$ 4,5 milhões para gerenciar as duas unidades. No início de agosto, devido aos salários atrasados, médicos do PA do Cecap estenderam uma faixa em frente à unidade que dizia que somente "pacientes com risco de morte" seriam atendidos.

PREFEITURA.
Procurada nessa quarta-feira, a Prefeitura não informou se tem ciência do risco da falta de médicos para atender nessas unidades e se estuda alguma medida para adotar nesse caso. A administração municipal também não informou qual é o valor devido para a SPDM, para o Instituto Esperança e para a Santa Casa de Chavantes.

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