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Apenas 18% do arrecadado com taxa de luz foi gasto por Saud com manutenção terceirizada

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/PMT
Taubaté está há mais de 10 meses sem serviço terceirizado de manutenção da iluminação
Taubaté está há mais de 10 meses sem serviço terceirizado de manutenção da iluminação

Nos primeiros dois anos e meio do governo José Saud (MDB), apenas 18% dos recursos do Fundip (Fundo Municipal de Iluminação Pública) foram aplicados no serviço terceirizado de manutenção da iluminação pública. O fundo reúne a receita obtida com a cobrança da taxa de luz no município.

De janeiro de 2021 a junho de 2023, a Prefeitura de Taubaté utilizou um total de R$ 37,4 milhões do Fundip. Desse total, somente R$ 6,749 milhões foram usados para pagar o contrato com o consórcio formado pelas empresas Ilumitech e Start, que se encerrou no fim de setembro de 2022 - desde então, o município não conta mais com o serviço terceirizado de manutenção da iluminação pública.

Quase metade do gasto total (47,42%) foi referente ao pagamento da conta de energia elétrica dos prédios da Prefeitura - a concessionária EDP recebeu do município R$ 17,747 milhões no período. Outros R$ 11,123 milhões (29,72%) foram utilizados para o pagamento de operações de crédito firmadas no governo Ortiz Junior (PSDB) e que custearam a troca de lâmpadas de vapor de mercúrio por luminárias de vapor de sódio e, posteriormente, por LED. O restante foi usado em ações como compra de equipamentos e locação de veículos.

FUNDIP.
Conhecida como taxa de luz, a CIP (Contribuição de Iluminação Pública) começou a ser aplicada em Taubaté em 2015. Na época, o governo Ortiz alegou que a cobrança era necessária porque, a partir daquele ano, a manutenção da iluminação pública passaria a ser de responsabilidade dos municípios em todo o país - e a Prefeitura, então, usaria o dinheiro para contratar uma empresa para prestar o serviço.

Embora a necessidade de contratação da empresa para manutenção da iluminação pública tivesse sido a desculpa para a criação da taxa, a redação da lei aprovada pela Câmara no fim de 2014 estabeleceu que o montante arrecadado com a CIP também poderia custear as despesas com energia elétrica da Prefeitura, financiamentos relacionados à iluminação pública e também a compra de máquinas e equipamentos para esse serviço - essas outras ações sempre foram de responsabilidade dos municípios, mesmo antes de 2015. No governo Ortiz, as despesas com a manutenção terceirizada da iluminação também representavam uma parte diminuta da receita anual do fundo.

Nos últimos exercícios, a receita anual do Fundip variou de R$ 16 milhões a R$ 17 milhões. Quando Saud assumiu a Prefeitura, em janeiro de 2021, o fundo tinha R$ 634 mil em caixa. Em janeiro de 2022, era R$ 1,161 milhão. Em janeiro de 2023, R$ 787 mil. E no fim de julho desse ano, R$ 1,399 milhão.

APAGÃO.
Embora o contrato com o consórcio tenha terminado em setembro de 2020, apenas em fevereiro desse ano o governo Saud abriu nova licitação para a manutenção da iluminação pública. Desde então, três editais foram barrados pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado).

Na eleição de 2020, Saud prometeu reduzir a alíquota da taxa de luz. Mas isso não foi feito até agora.

Para residências, a taxa representa acréscimo de 4% a 7,5% na conta de energia elétrica. Para imóveis comerciais, varia de 4% a 10%. Para indústrias, de 2,5% a 10%.

COBRANÇA.
Em junho, a Câmara aprovou, por unanimidade, o projeto da oposição que visa suspender temporariamente a cobrança da taxa de luz no município enquanto a Prefeitura não conta com uma empresa terceirizada para fazer a manutenção da iluminação pública.

No fim de junho, Saud vetou o texto. Na mensagem enviada à Câmara, o prefeito alegou que, sem a cobrança, o município perderia pelo menos R$ 16 milhões por ano. E que a proposta "é ilegal e inconstitucional", pois, como configura "renúncia de receita", deveria ter sido acompanhada de "estimativa do impacto orçamentário-financeiro".

O veto ainda será analisado pelos vereadores. Caso seja mantido, o projeto será arquivado. Caso o veto seja derrubado, a lei será promulgada pelo Legislativo.

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