OPERAÇÃO

Tarcísio retoma discurso bolsonarista com defesa à operação policial na Baixada Santista

Por Débora Brito | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Governador Tarcísio de Freitas em coletiva sobre a Operação Escudo
Governador Tarcísio de Freitas em coletiva sobre a Operação Escudo

Após o estranhamento com a base bolsonarista em razão da defesa da reforma tributária proposta pelo governo federal, o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos) realinhou seu discurso ao bolsonarismo ao apoiar a chamada Operação Escudo que resultou na morte de pelo menos 16 pessoas, na Baixada Santista. O  número pode chegar a 19, segundo a Ouvidoria das Polícias do estado.

A operação foi deflagrada como reação à morte do policial militar da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), Patrick Bastos Reis, 30 anos, em 28 de julho, durante patrulhamento em uma comunidade do Guarujá.

Nas redes  e em declarações oficiais, o governador comemorou a prisão dos suspeitos de envolvimento no crime e alertou que ‘A justiça será feita. Nenhum ataque aos nossos policiais ficará impune.’

As manifestações do governador cativaram o público bolsonarista, que tem forte presença no meio policial, mas também motivou fortes críticas.

Tarcísio disse estar ‘extremamente satisfeito’ com a ação policial e sinalizou continuidade da estratégia. ‘A gente não quer de jeito nenhum o confronto, mas também não vamos tolerar a agressão, porque a polícia reage e ela vai reagir para repelir a ameaça (...) Não podemos deixar que a população seja usada e sucumbir às narrativas, estamos combatendo o tráfico de drogas’, disse em coletiva.

Segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo), em apenas um dos dias da operação, quatro policiais foram baleados em confronto com criminosos. “Nos 6 dias de operação, 16 suspeitos morreram ao entrarem em confronto com a polícia. Todas as ocorrências com morte durante a operação foram resultado da ação dos criminosos, que optam pelo confronto”, diz a SSP.

A pasta informou que a operação seguirá por no mínimo 30 dias para ‘sufocar o tráfico de drogas e desarticular o crime organizado’ que atua na Baixada. Entre os dias 28 de julho e 3 de agosto, a Polícia Militar prendeu 84 pessoas e apreendeu quase 400 kg de drogas, além de armas e veículos roubados.

CHACINA.

O que para o governo estadual foi visto como ‘efeito colateral’ ao crime e ‘guerra’ contra o tráfico, foi considerado chacina e abuso para entidades ligadas à Justiça e aos Direitos Humanos. O ministro da Justiça, Flávio Dino, repudiou a morte do PM, mas sinalizou que a reação não teria sido proporcional ao crime cometido contra o agente.

A presidência do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) foi à comunidade para coletar denúncias de abusos, ameaças e tortura e considerou a ação uma chacina. A Ouvidoria das Polícias do estado prepara um relatório com relatos de excessos cometidos pelos policiais e, junto com outras 21 entidades, pediu o fim imediato da operação.

Sob pressão, o governo estadual disse que as ocorrências de morte serão ‘minuciosamente investigadas’ e que disponibilizou as imagens das câmeras corporais para consulta pelo Ministério Público, Poder Judiciário e a Corregedoria da PM.

O caso instigou a apresentação de iniciativas que tentam acabar com o uso de câmeras corporais pela polícia militar, que adotou o artefato há três anos para controle do uso da força policial. Na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) foi apresentado requerimento pedindo ao governo estadual a desinstalação das câmeras das fardas dos policiais, com o argumento de que são punitivas ao agente e que podem inibir o combate à criminalidade.

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