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Pobreza e extrema pobreza afetam mais 200 mil famílias na Vale; em Campinas são 244 mil

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Comunidade no Banhado em São José: local é um dos bolsões de pobreza na cidade
Comunidade no Banhado em São José: local é um dos bolsões de pobreza na cidade

A chaga da pobreza.

Duas das regiões mais ricas do estado de São Paulo e do Brasil, com cidades líderes de riqueza no interior do país, tem mais de 1 milhão de pessoas em estado de pobreza e de extrema pobreza.

De acordo com dados da Vigilância Socioassistencial do governo estadual, obtidos com exclusividade por OVALE, as regiões de Campinas e do Vale do Paraíba têm, em conjunto, 1.077.769 pessoas sem condição de se sustentar com dignidade.

As informações ainda apontam que as duas regiões somam 446.856 famílias em condição de pobreza e de extrema pobreza. Os dados se referem ao mês de abril de 2023.

Em média, as regiões de Campinas e da RMVale têm 55% das pessoas inscritas no Cadastro Único do governo federal avaliadas como em situação de pobreza e extrema pobreza, o que dá a dimensão do desafio.

Para efeitos de análise, o IBGE considera o conceito de “pobreza monetária”, ou seja, indicador que mensura o número de pessoas abaixo de um determinado limite de renda.

Segundo definição do Banco Mundial, a linha de extrema pobreza está fixada atualmente em famílias que vivem com até R$ 168 mensais per capita. Para a pobreza, a régua é de quem vive até com R$ 486 ao mês per capita.

Ainda segundo o IBGE, a pobreza é definida como “a falta do que é necessário para o bem-estar material”, especialmente alimentos, moradia, terra e outros ativos. A pobreza é a falta de recursos múltiplos que leva à fome e à privação física.

MAIS POBRES

Campinas e o Vale do Paraíba são as duas regiões com mais pobres no interior do estado, considerando a divisão de São Paulo em 21 regiões. Campinas tem 592.841 pessoas e 244.405 famílias na pobreza e na extrema pobreza e a RMVale tem 484.928 pessoas e 202.451 famílias nesta mesma condição. A terceira região é Sorocaba, com 348.131 pessoas e 141.422 famílias.

Com isso, Campinas e a RMVale são responsáveis por 30% do total de pobres no estado, que registra 7,89 milhões de pessoas e 3,36 milhões de famílias na pobreza e na extrema pobreza, com média de 55% de pessoas nesta condição entre o total de inscritos no Cadastro Único em São Paulo.

“O que colocamos como bordas do Estado – Vale do Paraíba até o limite com o Rio de Janeiro e nas fronteiras com o Paraná e com o Mato Grosso do Sul – ainda possuem níveis de pobreza mais elevados que o restante do território, devido à demora na chegada dos benefícios e de melhorias econômicas e sociais”, avaliou o demógrafo Pier Francesco De Maria, pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

CIDADES

Cidade mais rica do interior do Brasil, segundo o IBGE, Campinas tem o desafio de dar conta de 184.281 pessoas e 79.348 famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, com 58,9% dos inscritos no Cadastro Único nessa condição -- em toda a região administrativa, a cidade com o maior percentual no programa federal é Nazaré Paulista, com 62,7%.

Terceira cidade mais rica do Brasil, São José dos Campos registra 135.199 pessoas em situação de pobreza e extrema pobreza. O número de famílias nessa situação é de 59.962, com 56,5% de pessoas nessa mesma condição entre os incluídos no Cadastro Único. Na RMVale, a cidade com o maior percentual neste indicador é Ubatuba, com 71,1%, o que coloca a cidade entre os índices mais altos do estado.

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