Após assinar a prorrogação por mais 10 anos do contrato com a Prefeitura de Taubaté, no início de junho, a concessionária ABC Transportes retirou de circulação 17 ônibus que tinham capacidade para 77 passageiros (40 sentados e 37 em pé) e os substituiu por 20 veículos com capacidade para 63 passageiros (34 sentados e 29 em pé).
Com a substituição, que teve a anuência da Prefeitura, a frota da empresa passou de 66 veículos, dos quais 54 efetivamente operavam no dia a dia, para 69 veículos, dos quais 57 são utilizados nas ruas.
Antes da prorrogação do contrato, a pesquisa feita por uma consultoria que prestou serviços à Prefeitura apontou que 42% dos passageiros reclamavam de lotação nos veículos do transporte público. Na pesquisa, a consultoria também destacou que até 2019, no período pré-pandemia, a frota utilizada em Taubaté tinha 81 ônibus.
JUSTIFICATIVAS.
Por meio de notas enviadas à reportagem, tanto a Prefeitura quanto a ABC alegaram que a troca dos veículos maiores pelos ônibus menores foi feita de acordo com o estudo de reestruturação do sistema de transporte público realizado pela consultoria.
A ABC argumentou que "as lotações de veículos foram detectadas nas linhas de maior demanda", e que nessas linhas os ônibus maiores permanecerão operando. "Nessas mesmas linhas, a oferta de viagens também foi ampliada no mês de junho", afirmou a empresa. "Os novos veículos, com menor capacidade, foram apropriados nas linhas de baixa demanda. Por serem menores, são mais ágeis e permitem diminuir o tempo de viagem, principalmente na área central onde as vias de acesso são mais apertadas. Ainda por serem menores, esses veículos têm o custo operacional mais baixo, o que contribui para a redução dos custos e para o equilíbrio econômico do sistema", concluiu a concessionária.
Já a Prefeitura alegou que os ônibus menores "são mais econômicos, menos poluentes" e "mais ágeis, o que permite a otimização dos custos operacionais e a redução dos tempos de viagens, possibilitando assim aumentar os números de partidas e a oferta".
PRORROGAÇÃO.
Na campanha eleitoral de 2020, o agora prefeito José Saud (MDB) prometeu que abriria uma "nova licitação para o sistema o quanto antes". No entanto, em vez de lançar uma nova concorrência, resolveu prorrogar por mais 10 anos o contrato com a ABC, que foi firmado em 2009 e venceria em 2024 - com isso, a empresa, que já atua na cidade desde 1965, irá operar no município até 2034.
Quando a prorrogação foi anunciada, o governo Saud alegou que o contrato foi renovado para que não houvesse descontinuidade do atendimento à população - o serviço transporta 27 mil passageiros por dia. Além disso, a gestão emedebista argumentou que várias contrapartidas estão garantidas, como ampliação da oferta de horários, itinerários e linhas, implantação de estações de conexão nas regiões do Cecap e da Rodoviária Nova até o fim de 2024 e manutenção dos abrigos de ônibus da cidade.
Por outro lado, o subsídio pago pela Prefeitura à ABC vai aumentar: antes da prorrogação, o gasto anual era de R$ 6,6 milhões; agora, passou para R$ 9 milhões; e, daqui a um ano, passará a ser de R$ 15,6 milhões.