CENSO 2022

Número de casas vazias na RMVale é 30 vezes maior do que população em situação de rua

Por Xandu Alves | Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Vale tem 37 vezes mais casas vazias do que pessoas em situação de rua
Vale tem 37 vezes mais casas vazias do que pessoas em situação de rua

As regiões metropolitanas do Vale do Paraíba e de Campinas reúnem 251.674 imóveis vazios, entre apartamentos e casas particulares, de acordo com dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O número é 30 vezes superior ao total de pessoas em situação de rua nas duas regiões, que juntas tinham aproximadamente 8.180 pessoas nessa condição em março deste ano, segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.

Nas 39 cidades do Vale, a quantidade de moradias vazias é de 113.520 diante de uma população em situação de rua de 3.061 pessoas aproximadamente, o que representa 37 vezes menos do que o total de casas sem ocupantes.

CIDADES.

São José dos Campos acumula 24.694 casas particulares vazias para uma população de rua de 178 pessoas, de acordo com a prefeitura -  138 vezes menos do que os imóveis fechados.

As casas vazias seriam capazes de zerar a fila por imóveis em São José, cujo déficit habitacional gira em torno de 21 mil moradias, de acordo com estimativa da pesquisadora e gestora pública Vanessa Aparecida de Oliveira, em monografia de especialização para a Universidade Tecnológica do Paraná.

Taubaté tem 15.187 sem ocupação e cerca de 250 pessoas em situação, de acordo com levantamento feito pela prefeitura em 2022. A proporção é de 60 casas vazias para cada pessoa em situação de rua.
"Os números do IBGE revelam o fosso da desiguadade social, que fica ainda mais evidente na questão da habitação popular", disse o historiador Douglas Almeida.

CAMPINAS.

A RMC (Região Metropolitana de Campinas) tem um total de 138.154  moradias particulares vazias, segundo o IBGE.  O número é 27 vezes maior do que a quantidade de pessoas em situação de rua, que chega a cerca de 5.119.

Só a cidade de Campinas tem 54.662 casas e apartamentos sem ocupantes para um público de 2.000 moradores de rua, segundo estimativa da Câmara. O número é 27 vezes superior ao de pessoas sem-teto.

As moradias vazias seriam mais do que suficientes para atender o déficit habitacional de Campinas, atualmente em torno de 40 mil moradias.

Para o vereador Paulo Gaspar (Novo), que é arquiteto urbanista e presidente da Comissão sobre População em Situação de Rua da Câmara de Campinas, as casas vazias poderiam ser utilizadas para esse programa", disse o parlamentar.

"Precisamos fazer um programa de locação social para subsidiar o aluguel dessas pessoas que estão na fila por moradia. Se essa política estivesse funcionando em Campinas, essas 50 mil casas poderiam ser utilizadas para esse programa", disse o parlamentar.

"Não é subsidiar aluguel por tempo indefinido, mas trabalhar para que essas pessoas se reestruturem. Essa política impede de as pessoas irem para as ruas, mas a prefeitura não quis fazer e o projeto está na Câmara", afirmou Gaspar.

Comentários

1 Comentários

  • Alex Sandro Pinheiro 09/07/2023
    Se o número está correto, o município tem condições de elaborar um plano habitacional para tirar essas pessoas da rua.