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Lição antirracista: o papel das escolas no combate ao racismo

Por Daniela Borges |
| Tempo de leitura: 2 min
O papel das escolas no combate ao racismo
O papel das escolas no combate ao racismo
O recente episódio de racismo vivido pelo jogador de futebol Vinicius Junior, do Real Madrid, escancara mais uma vez como o preconceito está enraizado na sociedade. Se ninguém nasce racista, fica evidente que a convivência e o mau exemplo perpetuam a discriminação racial. Por isso, a escola tem papel primordial no ensino do antirracismo. 
 
Para surtir efeito concreto é fundamental que a instituição de ensino esteja preparada para lidar com a questão de forma consistente. Para começar, contemplar em seu corpo de servidores pessoas pretas, em todos os níveis e hierarquias, e abordar a temática nas reuniões com as famílias e nos conselhos de escolares.
 
“Em conjunto com a sociedade, a escola pode contribuir muito. Primeiro, preparando os servidores, desde o administrativo que faz as matrículas, docentes, gestores e profissionais de apoio, para acolher a população de forma digna, sem reprodução de estereótipos criados pelos preconceitos e discriminações raciais”, afirma o professor e educador social Washington Góes, técnico de programas e projetos do Cenpec, ONG que trabalha pela promoção da equidade e qualidade da educação pública.
 
Também faz parte das ações prever medidas de retaliação a toda forma de preconceito e discriminação racial praticadas por qualquer pessoa da comunidade escolar. “O PPP (Projeto Político Pedagógico) deve, também, prever ações afirmativas em todas as atividades para o ano letivo; as crianças e jovens pretas e pretos e não brancos devem ter os mesmos direitos de participação nas instâncias democráticas, nas festas, etc”, pontua. 
 
Por fim, adotar medidas valorativas que estão relacionadas ao currículo, ou seja, incluir o ensino de temas relacionados às questões raciais na Educação Básica em geral, desde a Educação Infantil ao Ensino Fundamental, aponta Góes. Vale destacar que as Leis 10.639/03 e 11.645/08 exigem essa abordagem nos componentes curriculares.
 
 
Exemplos. “Muitas escolas têm apresentado como práticas bem-sucedidas a abordagem da história e cultura afro-brasileira nos componentes curriculares de forma positiva, ou seja, falar da África como um continente diverso e que, ao longo de toda a história da humanidade, produziu ciências e conhecimentos fundamentais, como etnomatemática e etnociência”, menciona Góes. 
 
Trabalhos de mediação de leitura também têm tido ótimos resultados na Educação Infantil, segundo ele. “Com literatura negra, abordando de personagens negros e negras, não estereotipadas, e histórias de valorização de suas culturas; retomada da literatura negra no Ensino Fundamental e Médio, valorizando escritores e escritoras como Carolina Maria de Jesus, Machado de Assis e Lima Barreto, entre outras”. 
 
Apesar dos avanços visíveis e significativos nos últimos 20 anos, Góes explica que ainda é necessária a implementação de uma política pública que, de fato, crie condições para abordagem dessa temática nas escolas. “A maioria das experiências depende de ações pontuais por parte de alguns professores e gestores”.

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