VOTAÇÃO

Após oito meses de ‘apagão’, Câmara aprova projeto que suspende taxa de luz em Taubaté

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/PMT
Taubaté está há oito meses sem serviço regular de manutenção da iluminação pública
Taubaté está há oito meses sem serviço regular de manutenção da iluminação pública

A Câmara de Taubaté aprovou nessa terça-feira (6), por unanimidade, o projeto da oposição que visa suspender temporariamente a cobrança da taxa de luz no município.

Pela proposta, de autoria do vereador Diego Fonseca (PSDB), a cobrança da taxa ficará suspensa enquanto a Prefeitura não contar com uma empresa terceirizada para fazer a manutenção da iluminação pública. Aplicada desde 2015, a CIP (Contribuição de Iluminação Pública) foi criada justamente para custear a contratação de uma empresa para prestar o serviço, que naquele ano passou a ser de responsabilidade dos municípios em todo o país – Taubaté está há mais de oito meses sem um contrato vigente.

O projeto ainda terá que passar por uma segunda votação, na próxima semana, antes de seguir para o prefeito José Saud (MDB), que poderá sancioná-lo ou vetá-lo – nessa semana, o emedebista afirmou ser contra a proposta (leia mais abaixo).

VOTAÇÃO.
Durante a discussão do projeto, vereadores da oposição usaram a tribuna para defender a suspensão da cobrança da taxa. "O que me causa surpresa é [a Prefeitura] não fazer a licitação [para contratar uma nova empresa], a cidade ficar com um apagão de oito meses e a população continuar pagando. Não é justo", disse Diego Fonseca. "É um projeto que vai beneficiar daqui para a frente. Se não tiver manutenção, a população não vai pagar", completou.

"Estamos há oito meses sem iluminação pública e pagando [a taxa]. É certo isso?", indagou Vivi da Rádio (Republicanos). "Não parece óbvio isso? Você não recebe um serviço, então não paga por ele", afirmou Talita Cadeirante (PSB).

Apenas um vereador usou a tribuna para defender voto contrário ao projeto. "Não podemos trazer dificuldades para o município. Se a Prefeitura já está tendo dificuldade com essa taxa, imagina se tirar a taxa. Não dou seis meses para a cidade ficar um breu", disse Nunes Coelho (Republicanos), que depois acabou votando a favor do texto.

PREFEITO.
Em entrevista nessa segunda-feira (5), Saud criticou o fato de o projeto não prever que o serviço possa ser executado diretamente pela Prefeitura.

"Fica um negócio estranho. A Câmara está obrigando [a Prefeitura] a contratar uma empresa [terceirizada para prestar o serviço]? Eu não posso realizar [a manutenção da iluminação pública] pelos meus funcionários [da Prefeitura]?", disse o prefeito.

Desde março, essa foi a terceira manifestação diferente do governo emedebista sobre a proposta. Primeiro, a Prefeitura alegou ser contrária à suspensão da CIP, já que a receita de R$ 17 milhões por ano seria usada também para outros fins, como o consumo de energia elétrica do município e o pagamento de financiamentos para a implantação de lâmpadas de LED na cidade. Em maio, afirmou que "respeita a autonomia do Legislativo".

APAGÃO.
O serviço de manutenção era executado desde setembro de 2016 pelo consórcio formado pelas empresas Ilumitech e Start. O custo anual era de R$ 3,1 milhões. O consórcio atuava diariamente com cinco equipes, mas o contrato acabou no dia 30 de setembro de 2022, já que não havia mais possibilidade legal de prorrogá-lo.

Embora o fim do contrato já fosse esperado, apenas em fevereiro desse ano a Prefeitura abriu nova licitação para o serviço. O certame foi suspenso pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) no mesmo mês, devido a cláusulas irregulares no edital. A licitação só foi retomada no fim de maio, e prevê custo de até R$ 8,1 milhões em 12 meses. A nova empresa, que deve ser definida no próximo dia 15, terá que disponibilizar quatro equipes de manutenção por dia.

Enquanto isso, a manutenção da iluminação é feita pelo próprio município, mas de forma precária – o número de equipes até passou de uma para quatro em maio, mas o número de luminárias apagadas ainda somava 1.472 na primeira quinzena do mês passado (4,3% do total de pontos de iluminação do município).

TAXA.
Para residências, a taxa representa acréscimo de 4% a 7,5% na conta de energia elétrica. Para imóveis comerciais, varia de 4% a 10%. Para indústrias, de 2,5% a 10%.

Na eleição de 2020, Saud prometeu reduzir a alíquota da taxa de luz. Mas isso não foi feito até agora.

No início de 2023, a Secretaria de Serviços Públicos informou que estavam “sendo elaborados estudos financeiros para esta revisão, que dependem também da parametrização do sistema por parte da concessionária”. A previsão era de que os estudos fossem concluídos até junho desse ano.

Comentários

2 Comentários

  • Bidubilli 07/06/2023
    Roubo atrás de roubo agora eu pergunto para os mesmos quantos que é o muito para vocês
  • Clebion Eli Miranda 06/06/2023
    EiTaubaté! .... às escuras ... Mas, se verdadeiro que o estudo é a luz da vida, pois então, estudemos menos poupando luzes e energias ... rs