TRANSPORTE

Após TCE apontar falhas, licitação para locação de 400 ônibus em São José é revogada

Por Julio Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Claudio Vieira/PMSJC
Veículos do transporte público de São José dos Campos
Veículos do transporte público de São José dos Campos

Após os órgãos técnicos do TCE (Tribunal de Contas do Estado) apontarem uma série de falhas no modelo proposto pela Prefeitura de São José dos Campos para a concessão do transporte público, a Urbam (Urbanizadora Municipal) revogou a licitação que visava a locação de 400 veículos elétricos para o sistema.

O certame já estava suspenso desde o início de março, em decisão tomada pelo TCE com base em representações da vereadora Amélia Naomi (PT), do vereador Thomaz Henrique (Novo) e da CS Brasil, empresa que operou no município até 2019 e vendeu sua participação para a Joseense.

Com a revogação da licitação, o processo no TCE será extinto. Procurada pela reportagem, a Urbam alegou apenas que revogou o edital para "reavaliação e nova publicação" - a estatal não se manifestou sobre as supostas irregularidades apontadas pelos órgãos técnicos do TCE.

FALHAS.
Em meio ao processo no TCE, órgãos técnicos – como a ATJ (Assessoria Técnico-Jurídica), a ATE (Assessoria Técnica de Economia) e o Ministério Público de Contas – apontaram que o novo modelo não teve a viabilidade econômica comprovada e deveria ter sido discutido com a sociedade civil por meio de audiências públicas.

O único modelo debatido nas audiências públicas realizadas pela Prefeitura em 2020 e 2021 já foi descartado - era o modelo convencional, com a contratação direta das empresas de transporte, que não atraiu interesse do mercado. Já o novo modelo, que virou aposta a partir de 2022, não foi debatido em audiências – nesse modelo, a estatal Urbam alugaria os veículos elétricos e gerenciaria o sistema, mas a operação dos ônibus seria feita por outra empresa, contratada pela Secretaria de Mobilidade Urbana em outra licitação.

Sobre a ausência de comprovação da viabilidade econômica do novo modelo, os apontamentos são diversos. Um deles é de que a Urbam não justificou por que seria mais vantajoso pagar até R$ 3 bilhões para alugar os 400 veículos durante 15 anos, em vez de comprá-los por R$ 1 bilhão.

Os órgãos técnicos do TCE apontaram também que como a Urbam não soube informar qual seria o custo para a estatal assumir, a partir do oitavo ano do contrato, a responsabilidade pelos carregadores e pelas baterias dos veículos, isso mostra que "não há sequer valor estimativo da tarifa necessária à cobertura do novo sistema".

Os órgãos técnicos estimaram que, considerando apenas a locação dos ônibus, sem contar despesas com motoristas e consumo de energia elétrica, a tarifa já teria que ser de R$ 8,42, quase o dobro da atual (R$ 4,50). Outro apontamento foi de que a receita com a bilhetagem do transporte, que em 2022 foi de R$ 166 milhões, não pagaria sequer o custo anual com o aluguel dos veículos, que pode chegar a R$ 201 milhões.

Comentários

1 Comentários

  • Rogerio 17/05/2023
    Sei não, rsrs, . De quem seriam alugados? Da BYD? CADÊ A CAMARA MUNICIPAL PRA QUESTIONAR? OPS INFORMAÇÕES FORAM BARRADAS!