TRANSPORTE

Região de Campinas tem transporte público precário, aponta estudo da Unicamp

Por Da redação | São José dos Campos
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Divulgação
Transporte em Campinas
Transporte em Campinas

O transporte público da RMC (Região Metropolitana de Campinas) é insuficiente para atender as demandas existentes, sendo consequência de um planejamento de mobilidade urbana precário.

É o que revela pesquisa de mestrado da arquiteta e urbanista Janini Dias da Silva, realizada no âmbito do programa de pós-graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O estudo cruza diversas informações como renda, local de moradia, acesso a veículos individuais e uso do transporte coletivo para traçar um perfil da mobilidade na RMC, com ênfase nos deslocamentos intermunicipais.

Com mais de 3,3 milhões de habitantes, a RMC é a segunda maior região metropolitana do estado de São Paulo. O dinamismo econômico de seus 20 municípios faz com que ela seja também uma das mais ricas, responsável por 8,9% do PIB (Produto Interno Bruto) paulista, segundo dados do PDUI (Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado) da RMC, elaborado pelo governo estadual.

A geração de toda essa riqueza, contudo, na avaliação de Janini, tem um custo para a rotina de quem vive na região: rodovias congestionadas nos horários de pico, associadas a poucas opções de transporte coletivo comprometem a eficiência do sistema.

ESTUDO

Para realizar o mapeamento, Janini se baseou na Pesquisa Origem Destino realizada pela Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos. O estudo divide a RMC em 185 zonas de tráfego – áreas que concentram as mesmas características de deslocamento, tais como local para onde as pessoas se dirigem e se elas vão de carro, moto ou utilizam o transporte coletivo.

Diariamente, são realizadas 4,7 milhões de viagens na região, sendo 107 mil delas intermunicipais. Do total, 72,6% são realizadas por meios de transporte motorizados e 60,2% por meios individuais. Ou seja, apenas 39,8% das viagens são feitas em transportes coletivos.

POUCO COLETIVO

Segundo Janini, o movimento intermunicipal na RMC é intenso porque a cidade de Campinas depende da mão de obra das cidades vizinhas, e elas dependem dos serviços oferecidos por Campinas.

“Porém, o transporte coletivo não é suficiente para isso e as pessoas dão preferência a meios de transporte individuais. O resultado é um trânsito complexo e inseguro”, disse a arquiteta e pesquisadora.

Outra fonte da pesquisa foi o PDUI, instrumento previsto pelo Estatuto da Metrópole e cujo objetivo é orientar o desenvolvimento urbano, econômico e social das metrópoles de forma integrada.

As análises do PDUI da RMC, elaborado em 2018, identificaram inúmeros gargalos, entre os quais o crescimento desordenado das cidades, seguindo eixos que coincidem com as principais rodovias da região, como a Anhanguera (SP-330), a Bandeirantes (SP-348) e a Dom Pedro 1º (SP-65), além de um intenso movimento pendular entre municípios, a predominância do transporte individual sobre o coletivo, que é consequência de um planejamento metropolitano insuficiente. Os dados do PDUI confirmam os resultados mostrados na pesquisa de Janini.

EIXO INDUSTRIAL

Na avaliação de Janini, dois aspectos da pesquisa chamam mais a atenção. Inicialmente, fica clara a concentração maior de pessoas que dependem do transporte coletivo na região sudoeste da RMC, nos limites entre Campinas, Hortolândia, Sumaré e Monte Mor. Esses locais coincidem com os eixos das rodovias Anhanguera e Bandeirantes, onde há grande concentração de empresas e, proporcionalmente, a renda dos moradores é menor.

“As indústrias se ligam às rodovias para o escoamento de produtos, formando aglomerados urbanos nessas áreas. As cidades se expandem por esses eixos”, afirmou Janini.

Em contraste, a porção leste da região concentra maior renda e o predomínio de viagens em veículos individuais.

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