Formada em Artes Plásticas, Adriana Flosi vê o desenvolvimento como uma arte capaz de aumentar a qualidade de vida das pessoas, gerar riqueza e oportunidades.
Ela também tem formação em Planejamento e Gestão de Negócios e exerceu funções em diversas entidades da área comercial, assumindo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas na gestão do prefeito Dário Saadi (Republicanos). “Ele está muito empenhado em transformar Campinas”, disse ela a OVALE.
Com integração, projetos inovadores e revitalização de áreas estratégicas, Adriana Flosi conta como encara esse desafio. Confira.
Qual a estratégia da secretaria e do governo de Campinas para o desenvolvimento econômico da cidade?
O prefeito Dário Saadi tem a preocupação para trazer novos investimentos, mas principalmente de ter uma cidade cada vez mais atrativa para o investidor, menos burocrática. Temos feito um trabalho muito ofensivo em pautas de desburocratização, além de ter uma Campinas mais digital para os moradores. Com isso, atraímos mais empresas e empregos.
Qual o balanço do mandato?
Muito positivo, considerando que, mesmo durante a pandemia, a prefeitura lançou um programa de ativação econômica e social com 22 ações, para a retomada da economia. Como o selo de inspeção municipal que permitiu a pequenos empresários da cidade com produção como queijos e de origem animal vender seus produtos. Outra foi criar a lei de incentivos fiscais mais abrangente para atender um maior número de empresas para investir na cidade. Também pensamos no que era mais atrativo para a cidade, em setores como data center e logística. Agora estamos regulamentando uma lei que dá benefícios para o centro da cidade, para torná-lo mais atrativo e atrair mais pessoas e negócios.
O agronegócio é importante para a cidade?
Sem dúvida. Temos o segundo mais antigo Instituto Agronômico do país e muita pesquisa em tecnologia dos alimentos, além de órgãos do Estado e da União, com três unidades da Embrapa. Sem contar as universidades, empresas e os pequenos e médios produtores. Temos concentração de pesquisa nesse segmento, incluindo biorrenováveis.
E a parte de tecnologia e inovação?
É muito forte em Campinas. No CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), temos quatro laboratórios: o de luz síncrotron (Sirius), de nanotecnologia, biotecnologia e o de biorrenováveis. São unidades muito importantes para Campinas. E o que nos difere é ser a única cidade do país que tem quatro parques tecnológicos em atividade, três com maturidade avançada e um em desenvolvimento. Temos 21 institutos de ciência, tecnologia e inovação.
Além das universidades, temos centros ligados a grandes empresas. A área de telecomunicações é muito forte por aqui, com o movimento do 5G@Campinas pela democratização e compartilhamento da pesquisa em torno do 5G. Temos dois laboratórios de conectividade para pesquisa com o 5G.
Quanto a economia criativa é importante para a cidade?
Temos duas empresas unicórnios nascidas como startups na cidade, de ex-alunos da Unicamp: iFood e o QuintoAndar, esta ainda com sede aqui. A área de ciência e tecnologia é um polo muito atrativo e com perspectiva de desenvolvimento sustentável. O governador Tarcísio [de Freitas] esteve aqui para assinar convênio com recursos para a conectividade no campo, que nasceu aqui e envolve várias entidades, como a Embrapa Digital e universidades.
É uma atuação regional pela força de Campinas. Temos ainda o HUB Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, que fica no distrito de inovação em área de 17 milhões de m² onde estão instaladas a Unicamp, PUC e vários outros institutos de pesquisa, além de diversas empresas e dois parques tecnológicos. Estamos discutindo para adequar o zoneamento para se tornar um distrito de inovação, que pressupõe um uso misto, com pesquisa, negócios e serviços.
Qual o papel de Campinas na economia do país?
Somos o 10º maior PIB do país e estamos à frente de muitas capitais. Pelo PIB per capita entre as metrópoles, só perdemos para Brasília. Pegando crescimento do PIB no ano passado, crescemos mais do que o estado de São Paulo e o Brasil, considerando a região administrativa de Campinas, que tem 90 municípios e cresceu mais 17% do PIB. É uma região muito pujante.
Quanto deve crescer o setor de logística?
Campinas é um hub logístico importante de logística no estado e país. O aeroporto de Viracopos bate recorde todos os anos em volume de carga e valor e cresce acima de 30%. Também temos dois portos secos e um deles, se fosse aeroporto, estaria em 5º lugar em desembaraço de carga.
Temos facilidade de conectar com o interior, Rio de Janeiro, Minas Gerais, a Grande São Paulo e outras regiões. As empresas de logística se interessam em se instalar aqui por ter uma qualidade de acesso que é privilegiada, além da facilidade do trânsito rodoviário. É bastante atrativo.
Quais as áreas de Campinas para o crescimento?
O prefeito Dario estabeleceu três áreas estratégicas na cidade: o aeroporto de Viracopos e o entorno dele, com a preocupação com a revitalização; o centro de Campinas para revitalizar a partir de intervenções que serão incentivadas com incentivos fiscais que podem chegar a 11 anos de isenção de IPTU para mudar a paisagem do centro; e uma área nobre no coração da cidade que é o pátio ferroviário, que é onde vai chegar o Trem Intercidades.
Efetivamente o governo estadual lançou o edital e é uma realidade. Temos uma expectativa importante e o trem vai chegar na estação central. Temos um pátio de 300 mil m² e houve cessão da União de 140 mil m² e o prefeito está empenhado em recuperar essa área e implantar um grande parque, com escola, área de inovação e todo um paisagismo. É um esforço pessoal do prefeito por ser uma área estratégica para irradiar essa recuperação para a área central.
O caminho é a integração?
Sim, não há desenvolvimento se não tiver essa conexão entre poder público, academia e indústria. Todas as discussões na cidade têm a participação das universidades e do conhecimento. Temos muitas parcerias nesse sentido e conexão do ecossistema da cidade com a prefeitura.