RELIGIÃO

Jesus Cristo vira disputa política entre grupos ideológicos no Brasil

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min

A Páscoa do conflito.

O ‘evento maior’ do calendário cristão é realizado no Brasil numa disputa ideológica que tenta alinhar a figura de Jesus Cristo a determinadas correntes políticas.

A narrativa bíblica sobre a prisão, julgamento, condenação, calvário e morte de Cristo, depois ressuscitado para a vida eterna, é tragada pelo maniqueísmo polarizador que toma o país de refém.

Jesus se tornou um alvo de disputa política no Brasil, ponto central na polarização que envolve costumes, religiosidade e fé (ou não) na democracia.

Nas eleições presidenciais do ano passado, a religião foi fortemente usada como trincheira para grupos reacionários atacarem adversários. À época, eles se alimentaram de mensagens vindas do Palácio do Planalto.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dizia que a eleição não era uma disputa política, mas uma luta “do bem contra o mal”.

A frase reverberou por igrejas de todo o país na campanha eleitoral de Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição e perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), normalmente associado ao ‘mal’ nos ataques bolsonaristas.

O próprio ex-presidente relacionou Jesus Cristo a práticas que ele defende, como a de armar a população.

JESUS COM PISTOLA

Em conversa com apoiadores mo Palácio da Alvorada, em junho de 2022, ao comentar trecho da Bíblia lido por um militante, Bolsonaro disse que Jesus Cristo “não comprou pistola porque não tinha” em sua época.

“O governante ter uma religião, professar uma fé, não tem problema nenhum. O problema é quando a fé privada do governante passa para os atos públicos”, disse Edin Sued Abumanssur, doutor em Ciências Sociais, professor e coordenador do Programa de Estudos Pós Graduados em Ciência da Religião da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

“Fazer valer a fé publicamente para todo mundo eu acho problemático. Nada contra o Bolsonaro ter a religião dele. Ele pode ter a religião que quiser. A Michelle também. O problema é que Bolsonaro não consegue diferenciar”, completou o especialista.

Por aqui, Jesus chega à terceira década do 2º milênio disputado como nunca pela política, e incompreendido como sempre por quem garante segui-lo.

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