SÃO JOSÉ

Sobrecarga torna mulher mais suscetível a transtorno mental, diz OMS

Por | da Redação
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Reprodução/Agência Brasil
Sintomas físicos como gastrite, bruxismo e até queda de cabelo podem ser sinais de atenção.
Sintomas físicos como gastrite, bruxismo e até queda de cabelo podem ser sinais de atenção.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), as mulheres apresentam fatores biológicos e sociais que as tornam mais suscetíveis a um quadro de transtorno mental, o que reforça a importância do autocuidado e da procura pelos tratamentos adequados.

Um dos fatores sociais observados são as jornadas exaustivas de trabalho, divididas entre o ambiente profissional e o doméstico. Segundo a psicóloga Mariana Padilha, da unidade feminina adulta da Francisca Júlia CVV, em São José dos Campos, as pacientes demonstram fragilidade em situações do dia a dia.

“As mulheres sempre relatam duplas, triplas ou até quartas jornadas de trabalho, nos dizem que possuem muitos afazeres e passam dias preocupadas com a casa e a família, além de notarmos uma rede de apoio escassa ou fragilizada”, afirma.

Num estudo divulgado em 2021, pelos Institutos Cactus e Veredas, foi revelado que, no Brasil, uma a cada cinco mulheres apresenta TMC (Transtornos Mentais Comuns), como sintomas depressivos ou estados de ansiedade. A taxa de depressão é, em média, mais do que o dobro em comparação aos homens.

Para a especialista, existem pontos complexos em torno do gênero que podem favorecer o aparecimento desses transtornos. “Podemos relacionar um empobrecimento econômico a um empobrecimento psíquico, o que gera a falta de informação sobre os diversos tipos de violência que uma mulher pode sofrer, além de questões comportamentais, tendo em vista a forma de ser mulher hoje, pois observamos uma maior democratização sobre estilos de vida, opiniões e papéis femininos atualmente”, destaca Padilha.

Alerta
Na UESM (Unidade de Emergência em Saúde Mental) da Francisca Júlia, os atendimentos por ideação suicida e tentativas de suicídio no último trimestre de 2022 registraram mais de 50% apenas para o gênero feminino adulto – contabilizados com o gênero masculino e infanto-juvenil.

A psicóloga ressalta que é fundamental a percepção de alguns sinais de alerta - que podem incluir sintomas como ansiedade, insônia e fadiga excessivas - antes que o quadro evolua para depressão grave.

“Quando a mulher sente que não está bem com a sua saúde mental ou está com algum incômodo que não consegue nomear ou não sabe como lidar sozinha, é o momento de procurar ajuda especializada”, recomenda.

Também devem ser considerados sintomas físicos, tais como dores pelo corpo, gastrite, bruxismo ou queda de cabelo, além de falta de tempo hábil para buscar ajuda.

“Geralmente, a mulher leva mais tempo para perceber ou para se cuidar. Por mais que ela esteja sentindo palpitação, dor no peito ou falta de ar, por exemplo, ela acaba priorizando os problemas do filho, marido ou da família antes de pensar em si”, observa a especialista.

Atendimento em São José
O Francisca Júlia oferece atendimento emergencial 24 horas e recebe pessoas em crise. Ao  todo, mais de 11 mil atendimentos são realizados nas unidades do hospital, cuja equipe multidisciplinar inclui médicos, psicólogos, psiquiatras e enfermeiros.

O CVV também oferece atendimento por telefone e pela internet 24 horas todos os dias, pelo número 188 e página www.cvv.org.br.

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