Três meses de alegria.
O pequeno Patrick celebrou seu terceiro ‘mesversário’ na última segunda-feira (20), dentro da Unidade Neonatal do Hospital Municipal de São José dos Campos.
Ele nasceu em 20 de dezembro do ano passado após 24 semanas de gestação, pouco mais de cinco meses, e foi considerado um prematuro extremo. Pesava 820 gramas. O risco para a sobrevivência é grande em casos como esse, mas Patrick é guerreiro.
Ao comemorar seus três meses, Patrick fez a balança saltar para 2.720 quilos, um passo gigantesco para um bebê prematuro extremo. Os pais e a equipe da UTI Neonatal comemoraram com direito a cartaz ao lado da incubadora que lhe dá suporte a vida.
Os pais de Patrick, Milton Ferreira e Gracieli Damázio, também moram um pouco na casa provisória de Patrick. Ali, eles passam a maior parte do tempo, todos os dias, confiantes que o filho está bem atendido. A festinha para a vitória do bebê os deixou emocionados.
“Temos certeza que nosso filho está no melhor lugar que poderia estar. Desde os dias mais desafiadores, quando os boletins médicos eram difíceis de ouvir, toda a equipe do hospital nos amparou e nos mostrou que o Patrick teria todos os cuidados que precisasse”, afirmou Gracieli.
COMPLEXIDADE
A UTI Neonatal do HM é um setor de alta complexidade que cuida de bebês que nascem de 24 a 37 semanas de gestação. É referência para toda a região, principalmente em neurocirurgia e cirurgia pediátrica.
A unidade conta com 14 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 18 leitos de semi-intensiva. A média de atendimento é de 40 bebês por mês. Eles representam menos de 10% dos partos no HM, onde nascem cerca de 500 bebês por mês.
Pela importância, a UTI Neonatal é encarada como mais do que uma unidade hospitalar. De fato, é a casa temporária de bebês prematuros, que precisam morar ali para ficarem fortes e prontos para ir embora.
Ganhar peso e garantir a maturação completa dos pulmões estão entre os principais desafios aos prematuros, que contam com incubadoras, equipe multidisciplinar treinada e de acesso 24 horas garantido aos pais, que são estimulados a acompanhar o desenvolvimento do bebê.
Eles também são incentivados a comemorar cada vitória, como a conquista do primeiro quilinho e os mesversários. É uma batalha pela vida que se conta em cada minuto.
“Desde que o bebê esteja estável, fazemos o posicionamento canguru, que coloca o bebê pele a pele no colo do pai ou da mãe. Isso favorece o controle térmico e diminui a infecção hospitalar”, explicou a enfermeira Fernanda Cruz, responsável pela UTI Neonatal do HM.
“Nessa posição o bebê lembra de respirar, as apneias tendem a diminuir e, com a mãe, o vínculo e a produção de leite aumentam.”
EQUIPE
Segundo ela, a equipe da UTI Neonatal é composta por médicos e enfermeiras neonatologistas e profissionais de psicologia, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, infectologia, nutrição, serviço social, entre outros.
Um dos desafios é tornar o ambiente mais aconchegante aos pais. Para tanto, a unidade realiza semanalmente a ‘Roda Materna’, reunião informal com os pais e a equipe multiprofissional para falar sobre diagnósticos e partilhar sentimentos. É a hora de os pais mais experientes animarem os mais novos e todos se fortalecerem.
Fernanda Cruz disse que os cuidados da unidade continuam mesmo depois que o bebê tem alta. As próximas consultas já ficam marcadas e fica disponível para a criança todo tipo de tratamento que ela precisar, como fisioterapia, fonoaudiologia, neurologia ou qualquer outra especialidade da rede pública.
“Apesar dos desafios que temos na nossa unidade, a equipe trabalha com amor e dedicação para que todos possam ir para a casa com a família, aptos a mamar e continuar se desenvolvendo de forma saudável, dando continuidade ao cuidado que o bebê recebeu aqui no Hospital Municipal, de forma integral, crescendo cercado de afeto”, disse a enfermeira.
“Para cumprir com nosso objetivo, temos uma equipe multiprofissional, especializada e habilitada tecnicamente. São profissionais preparados para trabalhar com humanização, amor e zelo para com os bebês.”
FAMÍLIA
“É quando a gente abre o coração, ouve outros pais e aprende com a psicóloga a controlar o estresse. Estamos aqui no hospital há quase 90 dias, todos os dias. Já somos uma família dividindo amor e carinho”, disse Ferreira, pai de Patrick.
O pequeno guerreiro já tenta abrir os olhos quando recebe o “bom dia” de seus pais, além de poder ficar um pouco no colo dos pais, fora da incubadora. “É uma sensação maravilhosa, indescritível”, resumiu Milton.
Sem limites para a alegria que nasce desses pequenos gestos, Patrick e outros tantos bebês revelam o milagre da vida a cada minuto.