TRAGÉDIA

Em cenário de guerra, São Sebastião avalia destruição para reconstruía a cidade

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação / Governo de SP
Operário trabalha em trecho da Rio-Santos na altura de Boiçucanga, em São Sebastião
Operário trabalha em trecho da Rio-Santos na altura de Boiçucanga, em São Sebastião

As três esferas de governo comprometeram-se com a reconstrução de São Sebastião, cidade mais atingida pela tempestade no Litoral Norte no último final de semana.

Ainda não se sabe exatamente o número de moradias levadas pela enxurrada, mas pode estar na casa das centenas.

A costa sul foi a mais afetada pela chuva recorde de 683 milímetros. Os bairros mais atingidos foram Juquehy e Barra do Sahy, que concentram quase a totalidade das mortes do município e ainda têm pessoas desparecidas, além de mais de 1.000 desalojadas.

Área popular, a Vila do Sahy foi severamente atingida por deslizamentos de terra que derrubaram árvores, engoliram casas e soterraram famílias inteiras. Uma força-tarefa procura desaparecidos por lá. Na praia do Toque-Toque, a prefeitura calcula que 80% do bairro foi destruído.

"A situação é absurda, cenário de guerra: casas e mais casas foram derrubadas e as estruturas, comprometidas", disse o prefeito Felipe Augusto (PSDB). "Ainda não dá para dimensionar o tamanho do prejuízo. Não existe prazo para a reconstrução".

As moradias serão reconstruídas sob a coordenação dos ministérios da Integração e Desenvolvimento Regional e das Cidades. Caberá à Prefeitura de São Sebastião encontrar terrenos fora de áreas de risco para as novas construções. Os custos da reconstrução serão divididos entre os governos federal, estadual e municipal, segundo apontou o governo federal.

"Agora você [prefeito] tem que apresentar a conta. Ela tem que ser apresentada para o governo federal, o governo estadual e ao próprio município", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Sebastião.

ESTRADAS

Há trechos interditados na Rodovia Rio-Santos (SP-55) dos quais ainda não se sabe a exata extensão dos danos.

Por isso, há alto grau de incerteza quanto os estragos nas estradas impactadas pela tempestade, especialmente a Rio-Santos e em menor grau a Oswaldo Cruz (SP-125), que tinha dois pontos de interdição parcial na sexta-feira (24), nos quilômetros 11 e 13, por queda de barreira.

A situação da Rio-Santos é bem mais grave. Na sexta, a estrada ainda contabilizava 14 trechos parcialmente interditados, a maior parte deles por queda de barreira e de árvores, ou as duas juntas. Um dos trechos interditado tem seis quilômetros e está nas praias do Guaicá e Toque-Toque. Outro de cinco está na Praia de Maresias.

Outros dois trechos (km 151 e do 188 ao 189), nas praias de Paúba e Boracéia, padecem com problemas de erosão, o que eleva a dificuldade de reconstrução.

"Ainda há muita terra por cima das rodovias e não é possível ter certeza se as estruturas continuam lá. Em alguns pontos a gente não sabe exatamente o que sobrou", disse o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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