TRAGÉDIA

Maiores volumes de chuva da história do Cemaden foram registrados nos últimos 12 meses

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação / Governo de SP
Maior volume de chuva já registrado na história do Cemaden foi no Litoral Norte
Maior volume de chuva já registrado na história do Cemaden foi no Litoral Norte

Quem ainda acha que o Brasil está fora da rota dos eventos climáticos extremos, como ocorre com outros países, a exemplo de Japão, Estados Unidos e Tailândia, precisa mudar de ideia rapidamente.

Para tanto, basta saber que o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), órgão federal especializado em observar a formação de tais eventos extremos no país, registrou os cinco maiores volumes de chuva da sua história nos últimos 12 meses. O monitoramento começa em 2011.

Portanto, está fora de questão se o Brasil é alvo de eventos climáticos extremos. O que é preciso estudar agora é quando será o próximo.

O último e maior deles foi registrado no final de semana dos dias 18 e 19, no Litoral Norte, com epicentro em São Sebastião. Choveu 683 milímetros em praticamente 15 horas, o maior volume de chuvas já registrado no país em tão pouco tempo, em toda a história.

Acreditar em eventos climáticos extremos não é mais uma opção, como bem lembra o diretor do Cemaden, o físico Osvaldo Moraes.

“Não apenas acredito, mesmo que não seja uma questão de acreditar e nem de fé. Se a gente olhar para os dados de precipitação que temos registrados no Cemaden, os cinco maiores foram nos últimos 12 meses”, afirmou o especialista.

“Os dados registrados aqui desde 2011 indicam que as maiores precipitações aconteceram nos últimos 12 meses. Isso mostra que os eventos extremos serão cada vez mais regulares no Brasil, infelizmente. Basta olhar os dados que isso fica comprovado. Os municípios terão que se preparar cada vez mais e melhor.”

No caso do Litoral Norte, o Cemaden emitiu o primeiro alerta de chuva intensa na quinta-feira (16). Por protocolo, avisou o Cenad (Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres), que abriga a Defesa Civil nacional.

E foi ela quem marcou uma reunião para a manhã de sexta-feira (17) com a Defesa Civil do Estado de São Paulo. Na ocasião, o Cemaden fez um briefing para as duas defesas civis sobre o cenário que se apresentava para o Litoral Norte, com previsão de chuvas intensas no sábado e domingo.

No mesmo dia, o Cemaden fez uma previsão de risco para as 24 horas seguintes, como faz regularmente, que também confirmou o mesmo cenários para o Litoral Norte.

“Isso significa que o Cemaden reforçou a atenção para essa região, até porque a gente trabalha em alerta 24 horas”, disse Moraes.

No sábado à tarde, quando começou a chover, o Cemaden emitiu alertas diretamente aos municípios. Anteriormente, o alerta foi regional, sem detalhar municípios, mas abrangendo todo o Litoral Norte. No sábado, os alertas foram direcionados aos municípios.

CARACTERÍSTICAS

Moraes classificou como “muito anormal” a chuva de 683 milímetros que atingiu o Litoral Norte. “Em qualquer lugar do mundo essa quantidade de chuva provocaria impacto”.

Segundo ele, o evento se formou a partir de uma conjunção de fatores, uma espécie de “tempestade perfeita”.

“Houve uma frente fria muito intensa, como não víamos há mais de 50 anos. Ela subiu do Sul em direção ao Norte e estacionou na região do litoral de São Paulo. Na parte frontal dela, tinha um sistema de baixa meteorológica, que é uma faixa de convergência de umidade. Como o Oceano Atlântico estava mais quente do que o normal, tinha muito mais evaporação e umidade, tudo isso foi migrando para essa região. Daí, ocasionou esse evento de precipitação muito intenso”.

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