CARTÃO

Bolsonaro gasta R$ 40 mil com cartão corporativo em Aparecida durante evento de campanha

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Caíque Toledo / OVALE
Bolsonaro durante visita a Aparecida em 2022
Bolsonaro durante visita a Aparecida em 2022

Notas fiscais pagas com o cartão corporativo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apontam gastos de R$ 40 mil em Aparecida, em 12 de outubro do ano passado, dia em que o então presidente participou de missa no Santuário Nacional e eventos de campanha na cidade do Vale do Paraíba.

De acordo com levantamento do UOL, gastos do cartão corporativo de Bolsonaro entre agosto e novembro, durante atividades da campanha eleitoral do então candidato, revelam pagamentos de até R$ 697 mil.

Segundo o portal, os valores dos gastos em viagens durante a campanha podem ser ainda maiores porque nem todas as notas fiscais foram tornadas públicas.

As notas mostram que o cartão corporativo de Bolsonaro pagou R$ 40.255,80 em Aparecida no dia da festa da Padroeira do Brasil, no ano passado. Entre as despesas, estão R$ 18 mil com hotel e R$ 15.946,80 com lanches. Também foram gastos R$ 6.150 com grades.

Entre os gastos de atividades eleitorais no cartão corporativo na RMVale, aparecem mais R$ 2.385 de serviço aéreo pagos em São José dos Campos.

As planilhas dos gastos foram divulgadas em resposta à agência Fiquem Sabendo por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). As notas estão em relatórios classificados como "atividade eleitoral".

LANCHES

Os gastos em Aparecida são semelhantes aos pagamentos feitos com o cartão corporativo em Vitória da Conquista, em 27 de agosto de 2022, na primeira agenda de campanha de Bolsonaro na Bahia.

Ao lado de João Roma (PL), que era candidato ao governo baiano, Bolsonaro participou de uma motociata na cidade baiana.

Naquele dia, o cartão corporativo da presidência gastou R$ 50 mil só em lanches – foram 1.024 lanches frios de uma padaria e 512 barras de cereal, entre outros itens.

Especialistas em direito eleitoral informaram que não é permitido o emprego de recursos públicos em viagens eleitorais, nem mesmo mediante ressarcimento à União, com exceção do uso de transporte.

O PL ainda não se manifestou sobre os gastos de Bolsonaro com o cartão corporativo durante a campanha eleitoral. Nos Estados Unidos, também não comentou.

TUMULTO

A viagem a Aparecida foi uma das mais tumultuadas da campanha de Bolsonaro pela reeleição. Dias antes da festa de Nossa Senhora, o Centro Dom Bosco, entidade do Rio de Janeiro de leigos católicos ultraconservadores, divulgou uma oração do rosário, com participação de Bolsonaro, na frente da Basílica Velha, um dos pontos mais tradicionais em Aparecida.

O evento ocorreria no mesmo horário da Consagração Solene da festa de Nossa Senhora Aparecida, evento realizado há 65 anos pelo Santuário Nacional. Contudo, Bolsonaro desistiu de participar da oração e causou revolta em seus apoiadores, que descontaram a frustração em padres da Basílica e na imprensa.

Mulheres bolsonaristas ameaçaram interromper tradicionais toques de sinos da Consagração de Nossa Senhora, pois estes estariam atrapalhando, segundo elas, o evento religioso convocado para o lado de fora do templo histórico.

Elas chegaram a confrontar, dentro da Basílica Velha, o padre Camilo Júnior, porta-voz do Santuário, que disse que o dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida não era para pedir votos, mas bênçãos.

CARREATA

Antes disso, dentro do espaço do Santuário Nacional, Bolsonaro e o então candidato a governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), percorreram parte das laterais do templo em um carro, com cada um em uma porta do veículo, acenando para o público, em claro evento de cunho eleitoral.

Não à toa, o dia 12 de outubro em Aparecida tornou-se o estopim para a escalada violenta bolsonarista que culminou nos ataques terroristas à sede dos três poderes em Brasília, em 8 de janeiro, cujas cenas chocaram o mundo democrático.

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