DENÚNCIA

Mãe de Ana Lívia denuncia perfil nas redes sociais criado com dados da filha

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Foto da estudante publicada pela mãe nas redes sociais: 'Você não tem noção da falta que tá fazendo'
Foto da estudante publicada pela mãe nas redes sociais: 'Você não tem noção da falta que tá fazendo'

Jéssica Higino, mãe da menina Ana Lívia, de 13 anos, que foi morta por um tiro em setembro de 2022, usou as redes sociais para denunciar uma página criada no Instragram com dados da filha no perfil.

A página tem seis seguidores e segue outros 25 perfis, e não tem nenhuma publicação até o momento. O texto abaixo da foto traz “liv 13” e “Gosto de kpop e etc”.

Nas redes sociais, Jéssica denunciou o caso: “Fizeram um Instagram com os dados da Lívia. Peço aos meus amigos que ajudem denunciando, não sei quem é o dono”, escreveu a mãe em sua própria na rede social.

Ela ainda fez um apelo a quem quiser homenagear a filha: “Aos amigos dela, não me importa de vocês postarem fotos, vídeos, homenagens a ela, podem até me marcar, só gostaria de pedir encarecidamente, para não fazer páginas da Lili”.

“Uma sacanagem. A foto da página não é dela, mas todas as informações são. Até o apelido da escola. Fiquei muito chateada com isso. Muito triste”, contou.

Seguidores de Jéssica apoiaram a medida: “Já denunciei, que absurdo isso, falta de respeito”, disse um deles. “Eu acho muito errado uma pessoa fazer isso”.

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HOMENAGEM

Jéssica também vem usando as redes sociais para lamentar a morte e homenagear a filha. “Quatro meses que eu tento colorir os meus dias”. E completou: “O que me conforta é ter lindas memórias com você. Elas aquecem meu coração machucado, você não tem noção da falta que tá fazendo”.

Sobre a saudade da menina, ela disse que “só aumenta a cada segundo”. “São dias difíceis... E todo dia é uma luta comigo mesma pra continuar”. E Jéssica disse que precisa se manter forte para cuidar do filho pequeno. “Não está sendo uma jornada fácil, mas Deus está comigo”.

MORTE

O caso aconteceu no dia 27 de setembro, no bairro Jardim Paulista, em Taubaté, antes de Ana Lívia e uma colega de 12 anos irem para a escola. Elas se consideravam melhores amigas.

Pela manhã, Lívia ligou para a mãe perguntando se a amiga podia ir até sua casa para que as duas pudessem ir para a escola juntas, de carona com a mãe de outra colega. Horas depois, a mãe de Ana Lívia encontrou a menina já sem vida, em seu quarto.

De acordo com a polícia, a menina de 12 anos confessou ter atirado contra Ana Lívia com uma arma de fogo que pertence ao seu tio, que trabalha como agente penitenciário.

Lívia foi encontrada com um tiro na nuca, com o corpo caído em cima de uma mesa de cabeceira.

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JUSTIÇA

A Vara de Infância e Juventude de Taubaté decidiu que o tempo de internação da menina de 12 anos que atirou em Ana Lívia será indeterminado. Uma avaliação psicológica será feita com a garota a cada seis meses. O documento vai respaldar a manutenção da pena ou não. Atualmente, ela está internada em uma unidade da Fundação Casa na capital.

Segundo o inquérito policial, a arma utilizada no crime pertencia a um tio da garota, que está responde um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência), definido em uma multa de R$ 2,5 mil.

Jéssica disse que entrou no ano passado, por meio do advogado, com uma queixa-crime contra o tio da atiradora. A Justiça negou por ele já ter sido julgado e recebido a multa.

“A conclusão disso é que, no Brasil, se você tem influência, pode tudo e nada acontece. As leis não são para todos. Só para alguns”, afirmou.

Jéssica disse também que o celular de Lívia ainda não foi liberado, tampouco o laudo do IML (Instituto Médico Legal) sobre a morte da estudante. “Depois de quase 5 meses, a única coisa que sabemos é o que todos já sabem”.

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