FACÇÃO DO CRIME

PCC tem estrutura empresarial para maximizar mercado do crime, dizem pesquisadores

Por Xandu Alves | São José dos Campos
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PCC
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A fraternidade criminosa.

Nem uma empresa do crime ou apenas uma estrutura de caráter militar. Maior facção criminosa do país e presente em todos os estados, o PCC (Primeiro Comando da Capital) é uma fraternidade.

Uma sociedade secreta cujo objetivo principal é o progresso de seus irmãos (membros) e voltada para a "luta violenta e silenciosa contra o sistema".

Esta é a visão do sociólogo Gabriel Feltran, professor da Universidade Federal de São Carlos e diretor científico do CEM (Centro de Estudos da Metrópole) da Universidade de São Paulo.

Ele é autor do livro "Irmãos -- Uma História do PCC" (Companhia das Letras), no qual traça um panorama da trajetória do grupo criminoso fundado por oito detentos no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté, há 30 anos. A obra é baseada em uma pesquisa de campo feita nas últimas duas décadas pelo autor na periferia de São Paulo.

"Oferecendo aos presidiários uma ordem previsível para a vida cotidiana, o PCC ganhou respeito e o consentimento ativo da massa prisional em São Paulo", escreve Feltran na obra. A partir das prisões, segundo ele, a facção passou a exercer uma hegemonia nas ruas, atuando como uma espécie de "agência reguladora do crime".

Na avaliação de Feltran, o que também facilitou o crescimento PCC foi os equívocos das políticas de segurança, de “governos, judiciário e do debate público”, que “focam na guerra contra pequenos operadores em vez da regulação desses mercados”.

“Temos agido por instinto mais do que com inteligência nessa área. Punimos as pessoas enquanto incentivamos as facções, que ganham milhares, milhões de integrantes.”

Segundo o sociólogo, o modelo do encarceramento adotado por São Paulo, que fez a população carcerária aumentar por seis no estado desde 1990 também foi importada por outros estados, oferecendo mão de obra para os planos de crescimento da facção criminosa. “Nos outros estados importou-se esse modelo, uma máquina de fazer bandido e desigualdade. No país, já são milhões de pessoas convivendo diretamente com o mundo do crime”.

LUCRO

As regras criadas e impostas pelo PCC têm o objetivo de tornar o mercado do crime mais lucrativo e previsível e menos violento. A análise é de um especialista em PCC: Bruno Paes Manso, doutor e mestre em Ciência Política, jornalista e pesquisador no NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP. Ele é autor, ao lado da socióloga e pesquisadora do NEV Camila Nunes Dias, do livro “A Guerra – Ascensão do PCC e o Mundo do Crime no Brasil”.

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